
O novo mapa do poder
QUEM GANHOU E QUEM PERDEU NAS URNAS
Lagarto e Itabaiana preservam bancadas, Laranjeiras e o Sul avançam, e o Sertão perde representação direta
Seis dos oito deputados federais foram reeleitos e apenas oito das 24 cadeiras estaduais mudaram de ocupante
O eleitor sergipano produziu, no último domingo, 4, uma combinação de continuidade e rearrumação. Na Câmara dos Deputados, a mensagem foi predominantemente conservadora: seis dos oito parlamentares eleitos já ocupavam mandato, o que limita a renovação a 25%. Na Assembleia Legislativa, oito das 24 cadeiras mudam de ocupante — renovação de 33,3% em relação à composição que encerra a legislatura —, mas parte dessa mudança representa o retorno de políticos conhecidos, e não uma ruptura geracional.
O dado mais importante, porém, aparece quando os resultados são colocados sobre o mapa. Aracaju e a Grande Aracaju ampliaram a capacidade de influenciar as duas bancadas; Lagarto e Itabaiana conservaram núcleos políticos muito fortes; Laranjeiras e municípios do Sul ganharam musculatura; e o Alto Sertão terminou a eleição sem um deputado estadual cuja base principal esteja na região. Nossa Senhora da Glória, que tinha em Chico do Correio uma voz direta na Assembleia, é o símbolo mais visível dessa perda.
O resultado também confirma a força das estruturas partidárias. União Brasil e PSD conquistaram, juntos, 11 das 24 vagas estaduais — 45,8% da Assembleia. O União elegeu seis deputados; o PSD, cinco. Na bancada federal, os dois partidos ficaram com duas cadeiras cada. Republicanos, PSB, PT e PP completam a representação de Sergipe em Brasília.
Oito cadeiras federais e apenas duas mudanças
Yandra Moura, do União Brasil, liderou a disputa para a Câmara com 115.903 votos. Cláudio Mitidieri, do PSB, foi o segundo, com 105.865, e João Daniel, do PT, o terceiro, com 88.900. Em seguida aparecem Fábio Reis, Delegada Katarina, Ícaro de Valmir, Capitão Samuel e Gustinho Ribeiro.
Cláudio Mitidieri e Capitão Samuel são as duas novidades da bancada. Yandra Moura, João Daniel, Fábio Reis, Delegada Katarina, Ícaro de Valmir e Gustinho Ribeiro foram reconduzidos. Saem Rodrigo Valadares, que disputou o Senado, e Thiago de Joaldo, que tentou a reeleição, mas não alcançou vaga.
O mapa federal preserva dois polos muito nítidos no interior. Lagarto continua com Fábio Reis e Gustinho Ribeiro, uma dupla capaz de manter o município no centro das negociações por recursos e obras. Itabaiana conserva Ícaro de Valmir como sua referência em Brasília. Ao mesmo tempo, Aracaju foi o maior colégio eleitoral individual de cinco dos oito eleitos — Yandra, Cláudio, João Daniel, Katarina e Capitão Samuel —, ainda que cada um deles possua alianças espalhadas pelo interior.
Deputados federais eleitos em Sergipe
Yandra Moura (União) – 115.903
Cláudio Mitidieri (PSB) – 105.865
João Daniel (PT) – 88.900
Fábio Reis (PSD) – 81.533
Delegada Katarina (PSD) – 71.592
Ícaro de Valmir (Republicanos) – 66.696
Capitão Samuel (União) – 66.342
Gustinho Ribeiro (Progressistas) – 58.289
Alese: renovação controlada e concentração partidária
Na Assembleia, Cristiano Cavalcante voltou a ocupar o primeiro lugar, agora com 52.765 votos. Jorginho Araújo ficou em segundo, com 49.550, e Zezinho Sobral retornou ao Legislativo com 44.155. Maisa Mitidieri e Adailton Martins completam o grupo dos cinco mais votados.
A lista dos eleitos mostra que a renovação foi controlada. Zezinho Sobral, Antônio Bala, Coronel Ribeiro, Fábio Henrique, Camilo Daniel, Ana Luiza, Fernandinho Franco e Norberto Pinto ocupam as oito cadeiras que mudam de titular. Há estreantes, mas também figuras com longa trajetória, como Zezinho, ex-deputado e ex-vice-governador, e Fábio Henrique, ex-prefeito de Nossa Senhora do Socorro e ex-deputado federal.
O sistema proporcional voltou a produzir um contraste que precisa ser explicado ao leitor. Linda Brasil recebeu 44.384 votos — a terceira maior votação nominal da disputa estadual — e não foi eleita. Norberto Pinto conquistou a última cadeira com 18.751 votos. Não se trata de uma inversão da vontade popular, mas do funcionamento do sistema: as vagas pertencem primeiro aos partidos e federações, conforme a votação total de cada chapa, e depois são distribuídas entre seus candidatos.
O União Brasil transformou sua votação coletiva em seis cadeiras e formará a maior bancada. O PSD elegeu cinco. O Republicanos ficou com três; MDB, PSB, PL e PV, com duas vagas cada; PT e Avante, com uma. O PP não elegeu deputado estadual nominalmente: as seis vagas da federação União–PP foram preenchidas por candidatos do União.
Os 24 deputados estaduais
Cristiano Cavalcante (União) – 52.765
Jorginho Araújo (PSD) – 49.550
Zezinho Sobral (PSB) – 44.155
Maisa Mitidieri (PSD) – 41.559
Adailton Martins (PSD) – 38.977
Antônio Bala (MDB) – 36.949
Dra. Lidiane Lucena (União) – 33.935
Paulo Júnior (PV) – 31.195
Netinho Guimarães (União) – 30.937
Marcelo Sobral (União) – 30.788
Kaká Santos (União) – 30.419
Pato Maravilha (União) – 29.624
Luciano Bispo (PSD) – 29.088
Marcos Oliveira (Republicanos) – 28.839
Luciano Pimentel (PL) – 28.675
Georgeo Passos (Republicanos) – 28.098
Coronel Ribeiro (PSD) – 27.711
Fábio Henrique (MDB) – 24.177
Ibrain de Valmir (PV) – 23.314
Camilo Daniel (PT) – 23.289
Ana Luiza (Republicanos) – 22.886
Fernandinho Franco (PL) – 22.483
Kitty Lima (PSB) – 18.829
Norberto Pinto (Avante) – 18.751
Quem ganhou representação
Laranjeiras sai fortalecida. Antônio Bala venceu com quase oito mil votos no município e Zezinho Sobral, liderança historicamente ligada à cidade, retorna à Assembleia. A presença dos dois amplia a interlocução local com o Governo do Estado e com a própria Alese.
Itabaianinha também ganha peso com a eleição de Ana Luiza, que obteve ali mais de um terço de sua votação. A região Sul ainda conta com Kaká Santos em Tobias Barreto, Pato Maravilha em Umbaúba e uma rede de votos de Netinho Guimarães com foco em Japoatã, além da presença de Fernandinho Franco em Muribeca e outros municípios.
Nossa Senhora do Socorro recupera uma referência direta com Fábio Henrique, que voltou à Assembleia sustentado por 12.907 votos no município. Coronel Ribeiro, Camilo Daniel e Norberto Pinto, eleitos a partir do eixo metropolitano, também ampliam o peso da Grande Aracaju.
Quem perdeu espaço
O Alto Sertão é o perdedor mais evidente. Chico do Correio obteve 22.341 votos, ficou na primeira suplência e perdeu a última vaga por uma diferença de apenas 948 votos para Norberto Pinto. Nenhum dos eleitos tem o Alto Sertão como base política principal. Marcelo Sobral e João Daniel mantêm votação e vínculos na região, mas a ausência de um representante diretamente enraizado no território muda o poder de pressão sobre temas como seca, irrigação, pecuária, estradas e desenvolvimento do São Francisco.
Nossa Senhora da Glória perde, assim, a cadeira que identificava como sua. São Cristóvão também reduz sua representação direta: Paulo Júnior permanece, mas Neto Batalha deixou a disputa estadual para tentar uma vaga federal e não conseguiu. Lagarto conserva enorme força por manter dois deputados federais e Ibrain de Valmir na Alese, mas perde uma cadeira estadual com a não reeleição de Áurea Ribeiro; Hilda Ribeiro também ficou na suplência.
Itabaiana e Lagarto preservam poder; o interior se reorganiza
Itabaiana mantém uma das representações mais sólidas do estado: Ícaro de Valmir na Câmara e Luciano Bispo e Marcos Oliveira na Assembleia. Lagarto conserva Fábio Reis e Gustinho Ribeiro em Brasília e Ibrain de Valmir na Alese. São dois centros regionais com bancadas próprias e capacidade de disputar investimentos, convênios e espaços partidários.
O Baixo São Francisco permanece influente com Cristiano Cavalcante e a rede de Yandra Moura. A Barra dos Coqueiros conserva Adailton Martins. Aquidabã mantém Dra. Lidiane. Simão Dias segue representada por Luciano Pimentel; Ribeirópolis, por Georgeo Passos; Tobias Barreto, por Kaká Santos; Umbaúba, por Pato Maravilha; e Itaporanga d’Ajuda, por Marcelo Sobral.
O novo mapa não elimina a força dos grandes grupos. Ao contrário: a eleição reforçou famílias, prefeitos, ex-prefeitos e redes regionais capazes de somar votos em muitos municípios. Mas introduziu novos pontos de competição, especialmente na Grande Aracaju, em Laranjeiras e no Sul. O desafio dos municípios sem representante direto será transformar votação dispersa em compromisso político permanente — e não apenas em visita de campanha a cada quatro anos.
Por Fábio Viana da equipe CinformOnline
ÚLTIMAS NOTÍCIAS


