Interior ocupa maioria das cadeiras da Alese

Levantamento mostra que 17 dos 24 deputados possuem bases fora de Aracaju; excluída a Grande Aracaju, 13 parlamentares estão diretamente vinculados ao interior

Itabaiana reúne três deputados estaduais, enquanto lideranças do Sertão, Agreste, Sul e Baixo São Francisco ampliam o peso político das regiões na Casa Legislativa. Como ficará a Alese depois do dia 4 de outubro?

A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) passa necessariamente pelo interior. Embora Aracaju concentre o maior eleitorado do Estado em um único município, a composição da Casa mostra que as bases dos deputados estão distribuídas pelas regiões.

Dos 24 parlamentares em exercício, sete têm Aracaju como principal referência política ou eleitoral. Os outros 17 possuem suas bases prioritárias fora da capital. Assim, 70,8% estão vinculados a outros municípios, enquanto 29,2% têm maior identificação com Aracaju.

Esse recorte inclui os deputados ligados à Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão. Quando toda a Grande Aracaju é separada do interior propriamente dito, os números continuam confirmando a força das regiões. Aracaju e os três municípios metropolitanos reúnem 11 parlamentares, ou 45,8% da Assembleia. Os demais municípios concentram as bases de 13 deputados, correspondendo a 54,2% das cadeiras.

A classificação não significa que cada deputado represente formalmente apenas uma cidade. Eles são eleitos para representar todo Sergipe. O levantamento considera trajetória política, mandatos municipais, concentração dos votos e identificação pública com determinado território.

Itabaiana possui três deputados diretamente ligados à sua política: Luciano Bispo, Luizão Dona Trampi e Marcos Oliveira. Juntos, correspondem a 12,5% da Alese. Na prática, uma em cada oito cadeiras é ocupada por um parlamentar com base na cidade serrana.

A força de Itabaiana está relacionada ao tamanho do eleitorado, à economia dinâmica e à tradição política. A presença de três deputados demonstra que diferentes grupos conseguem transformar a disputa municipal em projeção estadual, reunindo votos na cidade e apoios nos municípios vizinhos.

Lagarto também se destaca com dois representantes: Áurea Ribeiro e Ibrain de Valmir. A dupla ocupa 8,3% das cadeiras da Assembleia e reforça o peso de um dos maiores colégios eleitorais do interior, tradicional centro de influência política no Centro-Sul. Em outras regiões, Chico do Correio está identificado com Nossa Senhora da Glória e o Alto Sertão; Georgeo Passos mantém vínculos com Ribeirópolis e o Agreste Central; e Lidiane Lucena possui base consolidada em Aquidabã.

Jeferson Andrade apresenta votação pulverizada, mas possui força em Nossa Senhora de Lourdes, Canhoba e em outros municípios. Cristiano Cavalcante mantém vínculos com Ilha das Flores e o Baixo São Francisco, além de votação expressiva em Capela. Kaká Santos tem sua principal base em Tobias Barreto; Marcelo Sobral, em Itaporanga d’Ajuda; e Pato Maravilha, em Umbaúba.

A Grande Aracaju também apresenta representação distribuída. Adailton Martins construiu sua trajetória na Barra dos Coqueiros; Carminha Paiva está ligada a Nossa Senhora do Socorro; e São Cristóvão possui dois parlamentares com origem na política municipal: Neto Batalha e Paulo Júnior.
Na capital, o grupo reúne Garibalde Mendonça, Jorginho Araújo, Kitty Lima, Linda Brasil, Luciano Pimentel, Maisa Mitidieri e Netinho Guimarães. No caso de Netinho, a classificação considera Aracaju como o município de sua maior votação absoluta em 2022, embora tenha presença relevante no interior, mais precisamente na cidade de Japoatã.

Ter uma base municipal não significa atuar somente por uma cidade. Em geral, o município de origem é o ponto de partida para uma construção regional. Um deputado fortalecido em Itabaiana tende a ampliar sua presença pelo Agreste. O mesmo acontece com lideranças de Lagarto no Centro-Sul ou de Nossa Senhora da Glória no Sertão. Essa expansão é uma necessidade eleitoral.

A tendência para a eleição deste ano é de manutenção da força do interior. A movimentação dos grupos municipais e a quantidade de candidaturas competitivas demonstram que as 24 cadeiras não serão decididas apenas em Aracaju. O interior tem eleitorado para definir mandatos, alterar a correlação de forças entre os partidos e determinar o desempenho das chapas.

A representatividade, porém, não deve ser medida apenas pela origem dos deputados. É preciso observar se a presença regional se transforma em projetos, emendas, fiscalização e cobrança por políticas públicas. Cada território possui demandas próprias em saúde, educação, infraestrutura, segurança, abastecimento de água, produção rural e geração de emprego.

O mapa da Alese revela uma realidade incontornável: Sergipe não termina na Grande Aracaju. A capital possui peso decisivo, mas é a soma das forças municipais que constrói a maioria da Assembleia. Para compreender a política sergipana é preciso olhar também para o Agreste, o Sertão, o Sul, o Centro-Sul e o Baixo São Francisco.

Por Fábio Viana da equipe CinformOnline.

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