A disputa pelo Senado promete ser a eleição mais imprevisível deste ano em Sergipe. Não apenas pela quantidade de candidatos competitivos, mas porque cada eleitor terá direito a duas escolhas. E é justamente no segundo voto que as campanhas, as lideranças municipais e os próprios eleitores parecem enfrentar maior dificuldade para definir posição.

Boa parte dos candidatos já possui um eleitorado mais identificado, seja por razões partidárias, ideológicas, regionais ou pela trajetória construída na vida pública. O problema começa quando o cidadão precisa completar a chapa. Nesse momento, entram em cena as alianças locais, as dobradinhas organizadas pelos prefeitos e as composições que mudam de um município para outro. Um candidato pode aparecer como primeira opção numa cidade e ser apresentado como segundo voto no município vizinho.

Essa característica torna a eleição especialmente complexa para as lideranças do interior. Há prefeitos apoiando a chapa do governador, mas escolhendo apenas um dos candidatos ao Senado apresentados pelo agrupamento. Outros dividem os votos entre nomes de campos adversários, numa tentativa de preservar relações políticas e ampliar o acesso a Brasília. Na prática, a disputa majoritária está produzindo uma variedade de arranjos que nem sempre respeita a fotografia oficial dos palanques.

Também será um erro imaginar que o eleitor necessariamente seguirá a dobradinha entregue pronta. O voto para o Senado costuma considerar atributos pessoais, serviços prestados, posições políticas e capacidade de defender os interesses do estado. Por isso, candidatos que aparecem bem como primeira escolha ainda precisam lutar para não sofrer rejeição como segunda opção.

A eleição para o Senado será decidida não apenas por quem possui o voto mais firme, mas por quem conseguir circular entre diferentes grupos sem perder identidade. Em uma disputa tão aberta, ser aceito como segunda escolha pode valer tanto quanto liderar a primeira. É nessa faixa silenciosa do eleitorado que poderá estar escondida uma das vagas mais cobiçadas de Sergipe.

Eleição I

Porto da Folha viverá uma situação política singular. Além da eleição geral, o município escolherá prefeito e vice em votação suplementar no dia 25 de outubro – segundo turno das eleições. Na prática, a cidade terá duas campanhas acontecendo simultaneamente, misturando interesses municipais e estaduais. Será difícil separar uma disputa da outra.

Eleição II

Os partidos terão de correr em Porto da Folha. As convenções serão realizadas entre 2 e 6 de setembro, enquanto os registros das candidaturas deverão ser apresentados até o dia 10. A propaganda começa no dia 11, sem horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Será uma campanha curta, intensa e decidida principalmente nas ruas.

Eleição III

Quem vencer a eleição suplementar de Porto da Folha assumirá um mandato que terminará em dezembro de 2028. Portanto, não haverá tempo para longas experiências administrativas. O futuro prefeito precisará organizar a gestão, reconstruir a confiança política e apresentar resultados antes que a próxima sucessão municipal comece a movimentar os bastidores.

Segundo voto

Como duas vagas para o Senado estão em disputa, muitos prefeitos deverão administrar apoios múltiplos. É perfeitamente possível caminhar com uma chapa para o Governo e distribuir os votos de senador entre nomes de grupos diferentes. Quem imaginar uma eleição inteiramente verticalizada poderá descobrir, tarde demais, que o segundo voto tem vida própria.

Jeferson

A presença de Jeferson Andrade como candidato a vice de Fábio Mitidieri acrescenta à chapa governista um articulador com trânsito entre deputados, prefeitos e lideranças municipais. Sua missão será funcionar como elo entre o projeto estadual e as bases locais. Vice que conhece o mapa político do interior pode deixar de ser coadjuvante e tornar-se peça estratégica.

No centro

Itabaiana será uma das cidades mais observadas da eleição. Além de sua importância econômica e eleitoral, o município é a principal referência política de Valmir de Francisquinho. O desempenho dos candidatos governistas na cidade indicará até que ponto o Governo conseguiu atravessar uma fortaleza adversária. Já para Valmir, vencer bem em casa é obrigação.

Na estrada I

Coronel Ribeiro intensificou a agenda de campanha entre os dias 28 de agosto e 1º de setembro. Nesse período, ele esteve em Nossa Senhora do Socorro, Lagarto, Propriá, Riachão do Dantas, Tobias Barreto, Itabaianinha, Tomar do Geru e Cristinápolis, além de cumprir compromissos em Aracaju e diferentes povoados.

Na estrada II

Propriá esteve no roteiro de campanha do Coronel Ribeiro no último domingo. O candidato participou de um adesivaço e, posteriormente, percorreu as ruas da cidade em uma carreata. Antes de retornar a Aracaju, Ribeiro ainda passou pelo município de Cedro, ampliando a agenda no Baixo São Francisco. Na terça-feira, ele esteve no Centro-Sul e no Sul sergipano. Coronel Ribeiro programou passagens por Tobias Barreto, Itabaianinha, Tomar do Geru e Cristinápolis. As visitas dão sequência à movimentação iniciada nos dias anteriores em Lagarto e Riachão do Dantas.

Leite

A Adutora do Leite será uma das principais vitrines da campanha no Alto Sertão. Com investimento superior a R$ 620 milhões, o projeto promete levar água bruta de Canindé até Nossa Senhora da Glória e fortalecer a bacia leiteira. É uma obra com potencial para unir infraestrutura, produção, emprego e esperança — quatro palavras que possuem enorme peso eleitoral.

Paternidade

Grandes obras costumam ter muitos padrinhos. O governador Fábio Mitidieri apresenta a Adutora do Leite como resultado da parceria com o presidente Lula, enquanto Rogério Carvalho destaca sua atuação na articulação federal. O eleitor do sertão observará quem ajudou a viabilizar a chegada dessa obra tão importante para os sertanejos.

Salto

São Cristóvão foi o município que mais avançou no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026. Saiu da 233ª para a 75ª posição, um crescimento de 158 colocações, e passou a integrar o grupo das 100 cidades mais competitivas do país. O resultado fortalece politicamente a gestão do prefeito Júlio Nascimento e projeta a Cidade Mãe para além das fronteiras de Sergipe.

Camarão

São Cristóvão realizará, nos dias 12 e 13 de setembro, a terceira edição do Festival do Camarão. O evento pode fortalecer a gastronomia, gerar renda e movimentar pequenos negócios. A administração municipal deve aproveitar a programação para consolidar um calendário turístico permanente, evitando que o movimento econômico desapareça assim que o último palco for desmontado.

Micarana

A Prefeitura de Itabaiana informou que a Micarana recebeu mais de 100 mil foliões durante quatro dias. O evento confirmou a capacidade do município de atrair público, movimentar o comércio e ocupar posição de destaque no calendário festivo estadual. Para o prefeito Zequinha da Cenoura, foi também uma importante vitrine administrativa.

Estância

Uma carreta de exames de imagem iniciou atendimento em Estância com previsão de permanecer por 30 dias. Além dos pacientes estancianos, a unidade móvel receberá pessoas encaminhadas por outros nove municípios da região. A ação reforça a posição de Estância como polo regional e reduz, ainda que temporariamente, a necessidade de deslocamento para Aracaju.

Mulheres

Candisse Carvalho tem buscado construir sua candidatura dialogando com mulheres em municípios como Japaratuba, Pacatuba e Canindé de São Francisco. A pauta feminina oferece identidade à sua campanha. A trabalhadora rural, a pescadora, a comerciante e a mãe solo enfrentam problemas diferentes e não podem receber um discurso genérico.

Internet

Fábio Henrique apresentou uma proposta para ampliar internet e telefonia nos povoados sergipanos, inclusive com incentivos para instalação de redes locais. A bandeira é atual e necessária. Sem conexão, estudantes perdem oportunidades, pequenos produtores enfrentam dificuldades e empreendedores ficam excluídos do mercado digital. Hoje, levar internet ao campo é tão estratégico quanto abrir uma estrada.

Vigilância

O aplicativo Pardal já havia recebido 72 denúncias de propaganda irregular em Sergipe, distribuídas por 12 municípios. Tobias Barreto aparecia com dez registros e Monte Alegre com quatro, atrás apenas de Aracaju. O dado serve de alerta: no interior, onde todos se conhecem, a fiscalização também está ativa e o velho argumento de que “sempre foi feito assim” perdeu qualquer validade.

Voto acessível

O TRE-SE firmou acordo para disponibilizar transporte gratuito a eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que atendam aos critérios do programa. A iniciativa também prevê atenção a comunidades tradicionais. Garantir que essas pessoas consigam chegar à seção eleitoral não é favor nem gentileza administrativa; é assegurar o exercício pleno de um direito fundamental.

Crise no PL I

Ricardo Marques e Rodrigo Valadares já não conseguem esconder o tamanho da crise interna. O candidato ao Governo contestou publicamente a versão apresentada pelo presidente do PL sobre os custos da pré-campanha e afirmou que os valores mencionados não foram informados nem autorizados por ele. Ricardo Marques disputa o Governo pelo PL, mas será o único candidato da legenda em Sergipe sem recursos do Fundo Eleitoral, segundo o próprio Rodrigo Valadares.

Crise no PL II

É uma situação politicamente constrangedora. Se o candidato ao principal cargo em disputa não é prioridade financeira do seu partido, terá dificuldade para convencer o eleitor de que seu projeto possui força, estrutura e viabilidade. Ricardo afirmou, ainda na pré-campanha, que somente entraria num projeto sério e com condições de acontecer. Agora, a poucos dias da eleição, descobre-se que sua candidatura não receberá recursos nacionais do Fundo Eleitoral.

Crise no PL III

Moana Valadares recebeu R$ 3 milhões da Direção Nacional do PL para disputar uma vaga na Câmara Federal. O repasse está registrado na Justiça Eleitoral e, por si só, não representa irregularidade. Politicamente, entretanto, o valor passa a ser comparado com a ausência de recursos para Ricardo Marques e outros candidatos.

Crise no PL IV

A crise coloca Moana numa posição desconfortável. Como esposa do presidente estadual do partido e uma das maiores beneficiárias do fundo em Sergipe, será inevitavelmente alcançada pelos questionamentos dirigidos a Rodrigo. Cecília Marques, esposa de Ricardo, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa pelo mesmo partido que negou recursos nacionais à candidatura de seu marido ao Governo.

Crise no PL V

Rodrigo e Moana receberam R$ 3 milhões cada um. Ricardo, candidato ao Governo, ficou sem recursos do Fundo Eleitoral. Ainda que existam critérios nacionais e explicações internas, a imagem produzida é péssima: o partido parece ter recursos para o presidente estadual e sua esposa, mas não para sustentar seu próprio candidato ao Governo e um candidata a estadual.

Por Fábio Viana da equipe CinformOnline

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