Com mais de 1,3 milhão de eleitores fora de Aracaju, o interior de Sergipe não pode ser tratado como simples cenário para fotografias, carreatas e apertos de mão. É nos municípios que a eleição estadual ganhará forma e onde os candidatos ao Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa terão de provar que conhecem as dificuldades enfrentadas pela população.

Prefeitos, vereadores e lideranças anunciarão apoios e tentarão orientar seus agrupamentos. Essa estrutura abre portas, reúne aliados e organiza campanhas, mas não transforma o voto em propriedade de ninguém. O eleitor acompanha pesquisas, compara discursos, observa alianças e sabe identificar quem só aparece quando precisa renovar o mandato.

Também é preciso compreender que o interior não representa uma realidade única. As necessidades do Sertão são diferentes das demandas do Baixo São Francisco, do Agreste, do Centro-Sul ou do litoral. Por isso, a campanha precisa falar seriamente sobre abastecimento de água, estradas, saúde, educação, segurança, emprego, agricultura e desenvolvimento regional.

O candidato que chegar apenas com slogans, músicas e promessas encontrará um eleitor mais atento e exigente. Visitar feiras, participar de procissões e abraçar lideranças faz parte da campanha, mas não substitui propostas nem apaga ausências. O interior quer presença durante a eleição, mas, acima de tudo, exige compromisso, respeito e resultados depois que as urnas forem fechadas.

Cidade disputada

São Cristóvão recebeu, no mesmo fim de semana, mobilizações comandadas por diferentes agrupamentos. Yandra Moura percorreu Rosa Elze e Eduardo Gomes, enquanto Paulo Júnior e Marcos Santana também organizaram carreata pela região. A movimentação confirma que o município será uma das praças mais disputadas da campanha. Ali, ninguém terá vida fácil — nem mesmo quem já foi testado nas urnas.

Tricapital

Itabaiana agora acumula os títulos de Capital Nacional do Caminhão, Capital do Brega e Capital do Comércio e do Comerciante. O primeiro título foi dado pelo ex-senador Eduardo Amorim. As duas últimas denominações surgiram de projetos do deputado Marcos Oliveira. O simbolismo ajuda a valorizar a identidade da cidade, promover o turismo e a cultura. Agora, é importante que os títulos sejam acompanhados por políticas que fortaleçam caminhoneiros, comerciantes, artistas e pequenos empreendedores.

Lagarto decisiva

A mobilização liderada pelo prefeito Sérgio Reis, com a presença de Fábio Mitidieri, confirmou Lagarto como um dos centros nervosos da eleição deste ano. O prefeito assumiu posição estratégica na articulação governista e ele será muito bem cobrado pelo resultado das urnas. Lagarto é grande demais para exercer papel secundário e sem tanta visibilidade como vem se apresentando na gestão de Sérgio.

Gilson de volta

Depois de administrar Estância por dois mandatos, Gilson Andrade tenta retornar à Assembleia Legislativa, casa que deixou há cerca de dez anos. Gilson entra na disputa com experiência, memória eleitoral e um palanque importante no Sul sergipano. Porém, no MDB, enfrento o desafio de disputar uma cadeira com Fábio Henrique, Danielle Garcia, Mariana Dantas, Antônio Bala e Garibalde. Será uma prova de fogo e tanto para o ex-prefeito de Estância.

Ironia I

Georgeo Passos participou de uma carreata em Ribeirópolis no último final de semana. Muita festa e animação, tudo ia muito lindo até que… a cidade foi tomada por uma salva de fogos. O problema é que o deputado é autor da Lei nº 9.729/2025, que proíbe o uso de fogos de artifício com estampido em todo o estado de Sergipe. As redes sociais foram invadidas com críticas ao deputado. Vária páginas mostraram Georgeo em cima da caminhonete curtindo a carreata.

Ironia II

O deputado se apressou em responder afirmando que a carreata não foi organizada por sua equipe e que ele teria participado da carreata de um correligionário. Georgeo reconheceu que “o que aconteceu foi errado”, mas afirmou que o evento foi organizado pelo partido e que sua campanha não sabia que os fogos seriam utilizados. Segundo ele, sua equipe permanece orientada a não empregar esse tipo de artefato nos atos eleitorais.

Capela

Carlinhos de Brejo Grande recebeu em Capela o apoio de Sukita e Isadora, em ato que também contou com Rogério Carvalho e Márcio Macêdo. É uma aliança politicamente relevante, pois conecta uma liderança do Baixo São Francisco a um grupo tradicional do Leste sergipano. Só existe um detalhe: o que teria feito Sukita deixar de apoiar Zezinho Sobral e passar a apoiar Carlinhos?

Base e expansão

O deputado estadual Adailton Martins inaugurou comitês em Aracaju e na Barra dos Coqueiros no último domingo, 23. A escolha dos dois municípios revela sua estratégia: proteger a forte ligação com a Barra e, simultaneamente, ampliar a candidatura para outras regiões do estado. Adailton Martins chega competitivo e deve ser um dos mais votados na chapa do PSD.

Juventude do interior

Lucas Meneses (Progressistas) tenta ocupar um espaço ainda pouco explorado na política sergipana: a representação da juventude interiorana ligada ao esporte, à vaquejada e às tradições rurais. É uma identidade legítima e com potencial eleitoral. O desafio será dar conteúdo político a essa imagem, defendendo qualificação profissional, primeiro emprego, incentivo ao esporte e oportunidades para que o jovem não precise abandonar sua cidade.

Regulação na unidade

A expansão do projeto de marcação de consultas e exames para a UBS Violeta Gusmão representa um avanço importante da Saúde em Propriá. O paciente agora passa a ser incluído na Fila Única logo após a consulta, sem precisar ir à sede da Secretaria de Saúde. É uma medida simples, mas que reduz deslocamentos, burocracia e desgaste. Na gestão pública, inovação também é facilitar a vida de quem depende do serviço.

São Cristóvão atenta

A Justiça Federal homologou o acordo técnico que consolida a linha divisória entre Aracaju e São Cristóvão, mas deixou claro que isso não transfere automaticamente a Zona de Expansão. Qualquer alteração dependerá dos procedimentos administrativos e legislativos, incluindo estudo de viabilidade e consulta popular. O tema exige serenidade. Não se pode redesenhar território como quem muda uma cerca de lugar.

O mapa do voto

Nossa Senhora do Socorro, Lagarto, Itabaiana, São Cristóvão e Estância estão entre os maiores colégios eleitorais de Sergipe. Quem pretende disputar uma eleição estadual sem construir presença nessas cidades começa a campanha fazendo uma conta que dificilmente fechará. O interior deixou de ser complemento: é parte decisiva da equação eleitoral.

Quem manda?

Prefeito manda no voto? Não. Mas organiza grupo, monta agenda, reúne lideranças, oferece estrutura política e abre portas que dificilmente seriam abertas por um candidato desconhecido. No interior, o apoio do gestor não entrega a eleição pronta, mas ajuda bastante a colocar o produto na prateleira.

Onze para duas I

Nesta eleição, o Senado é, sem dúvidas, o cargo mais disputado no estado. Sergipe tem 11 candidaturas e somente duas vagas em disputa. É muita gente tentando conquistar um eleitor que, além de escolher senador duas vezes, ainda terá de votar para outros quatro cargos. O tapete azul do Senado é realmente tentador e a disputa revela ao menos sete candidaturas fortes.

Onze para duas II

Será uma eleição “divertida” de se ver, principalmente a partir da próxima sexta-feira quando se inicia o horário eleitoral gratuito na TV e rádio. A partir desse dia, as estratégias de comunicação estarão mais expostas, debates, acusações e provações mais em evidência. Vamos aguardar para ver como serão as cenas dos próximos capítulos. Pode ser chato, mas também pode ser bem divertido.

Coronel Ribeiro

O lançamento do movimento “Sergipe Merece Essa Força” marca uma nova etapa da campanha de Coronel Ribeiro à Assembleia Legislativa. Com 32 anos de atuação na Polícia Militar e passagem pelo Comando-Geral, Ribeiro possui história, autoridade e capital político na segurança pública. O próximo passo será mostrar ao eleitor do interior como essa experiência poderá ser convertida em propostas para proteger comunidades, propriedades rurais e pequenos comerciantes.

Cadê a proposta?

Tem candidato com slogan. Tem candidato com música. Tem candidato com dancinha, adesivo, equipe profissional de vídeo e grandes estruturas. Falta apenas um detalhe: dizer claramente o que pretende fazer. A embalagem pode despertar atenção, mas ainda é o conteúdo que sustenta uma candidatura. Nesses primeiros dias de campanha, o povo sentiu falta de ideias e propostas em todos os cargos.

Primeira semana

A avaliação de que a primeira semana de campanha trouxe poucas novidades deveria preocupar as coordenações. Todo mundo sabe que os primeiros dias devem ser de apresentação das candidaturas. As carreatas, caminhadas e vídeos fazem parte do processo, mas não substituem o debate sobre emprego, água, saúde, educação e infraestrutura. Se a campanha continuar falando apenas de si própria, o eleitor poderá responder com indiferença.

Luciano na pista

Em seu terceiro mandato na Alese, Luciano Pimentel chega à eleição com uma vantagem importante: possui experiência parlamentar e bases consolidadas no Centro-Sul. O desafio de um político experiente, porém, é diferente daquele enfrentado por um estreante. Luciano não precisa explicar quem é; precisa demonstrar por que ainda é necessário na Assembleia Legislativa. Luciano Pimentel disputa a eleição pelo PL.

Glória na chapa I

Glória Sena ocupa a primeira suplência de Rodrigo Valadares na disputa pelo Senado. Sua presença ajuda a ampliar politicamente uma chapa liderada pelo PL, mas construída com participação de diferentes forças da centro-direita. Não é uma posição meramente decorativa: o primeiro suplente pode assumir um mandato de oito anos em determinadas circunstâncias.

Glória na chapa II

Glória Sena possui atuação vinculada ao movimento feminino e ao grupo político do senador Laércio Oliveira. Agora, como filiada ao Podemos e primeira suplente de Rodrigo Valadares, funciona como ponte entre diferentes espaços partidários. Sua missão será transformar essa articulação de cúpula em presença eleitoral nos municípios, entre as mulheres e com ascendência popular. Glória soma e muito ao projeto de Rodrigo.

Cristiano articulador

O prefeito de Simão Dias, Cristiano Viana, reafirmou apoio a Luciano Pimentel e Fábio Reis. Com isso, sinaliza uma dobradinha estadual e federal para orientar seu agrupamento. A escolha está feita; agora vem a parte difícil: manter vereadores, lideranças e aliados caminhando na mesma direção até outubro.

Popular

Fiote aposta em uma origem popular e na identidade com o povo de Itabaiana e da região Agreste para conquistar uma vaga de deputado federal. Ser conhecido como vendedor de castanhas vai aproximá-lo do eleitor. Fiote vem buscando se apresentar ao eleitor, mas sem se prender ao sucesso do filho, Nathanzinho Lima. A simplicidade da história de Fiote e sua autenticidade abrirão portas por onde ele passar.

Forte

Outro nome que vem forte e com grandes chances de sucesso é o de Hilda Ribeiro. Ex-prefeita de Lagarto, Hilda carrega um potencial político de causar inveja em políticos experientes. Hilda administrou bem Lagarto, mas, mais do que isso, Hilda adora estar no meio do povo. É ali onde ela se sente bem e isso é nítido.

CRÍTICAS E SUGESTÕES

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