“Um olhar quilombola de um lugar marisqueiro” – Sergipano na final da Olimpíada de Língua Portuguesa


O professor Waldemar Valença Pereira, do Centro de Excelência Senador Walter Franco, em Estância (SE), é finalista da Olimpíada de Língua Portuguesa (OLP), na categoria Documentário. Foram selecionados 16 finalistas em cada uma das categorias: Crônica, Artigo de Opinião, Memórias Literárias, Documentário e Poema, totalizando 80 docentes de 23 estados. A celebração dos vencedores ocorrerá no dia 10 de dezembro, às 18h, em evento virtual transmitido pelo canal do YouTube do programa Escrevendo o Futuro.

“Um olhar quilombola de um lugar marisqueiro” é o nome do trabalho audiovisual que garantiu ao professor sergipano vaga na final da OLP. O documentário foi produzido por Waldemar Valença, conhecido como Mestre Valença, e seus alunos do ensino médio em tempo integral, Bruna Gabriele Lima dos Santos, Carlos Raphael Costa dos Santos e Rayssa Silva Santos. “Ser finalista da Olimpíada de Língua Portuguesa é uma satisfação muito grande, uma glória. Muito mais ainda quando é uma causa justa. Quando nós fizemos o trabalho lá na comunidade quilombola de Porto D’areia, ao terminar o trabalho, eu lembro perfeitamente ter dito aos alunos que estávamos fazendo história, marcando a história de Estância. Redescobrindo um lugar importantíssimo para a história não só da nossa cidade, mas também de Sergipe, e por extensão do Brasil”, lembrou.

“Quando recebemos a notícia de que éramos finalistas, tudo foi se encaixando como um quebra-cabeça, porque é muito legal quando você constrói uma história, mas parece que nem sempre as pessoas conseguem perceber que aquilo ali é importante. Quando você recebe um prêmio, destaca-se a importância daquilo que você fez. Porém, eu já dizia a esse grupo de estudantes: independentemente de que fôssemos classificados na fase estadual ou não, o nosso trabalho era muito significativo e teríamos que dar continuidade no sentido de divulgação”, destacou Waldemar Valença.

Com duração de cinco minutos, o documentário inédito produzido pelo Trio A, nome da equipe finalista, traz depoimentos de um historiador e dos moradores sobre a história da localidade. “Fizemos um trabalho com o coração. Um trabalho engajado, interdisciplinar, e nada melhor do que a gente unir a história e a geografia, informando a presença do rio Piauitinga e a comunidade quilombola tão sofrida nessa pandemia e tão maltratada com essa vida marisqueira. Então esse pessoal de Porto D´areia, que vive da pesca, era invisível para a população de Estância, citada como pessoas periféricas. E a gente olhou para eles e disse “elas são as pessoas que mais se sobressaem”. Quando vem esse reconhecimento, podemos, de certa maneira, mostrar o quanto a comunidade quilombola é importante, não exatamente por conta do nosso trabalho, mas o que a gente fez com aquele documentário”, completou o professor Waldemar Valença.

A aluna Bruna Gabriele Lima dos Santos falou sobre a emoção de ser finalista na OLP. “Nosso documentário nos permitiu ampliar nossos horizontes e enxergar a beleza de uma região antiga e cheia de histórias, boas e ruins. Foi uma experiência única para todos nós e algo de grande importância para nosso conhecimento e aprendizagem. No entanto, também está sendo de grande relevância para a cultura não somente do nosso município, mas também do país inteiro. Todo o percurso até aqui foi intenso e trabalhado em conjunto. É muito gratificante estar entre os finalistas de um evento prestigiado como esse, que é a Olimpíada de Língua Portuguesa. Eu me sinto honrada em fazer parte de tudo isso e poder compartilhar nosso curta-metragem para todo o Brasil agora”.

O coordenador estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa em Sergipe, professor Jorge Monteiro, explicou como se deu o processo de classificação dos trabalhos. “O concurso deste ano apresentou algumas novidades. Agora, para participar da Olimpíada, o professor teve que redigir um Relato de Prática contando como o trabalho foi desenvolvido com sua turma. Além disso, juntamente com os alunos e alunas, selecionou algumas produções textuais ou audiovisuais e algum registro significativo do percurso. A OLP cumpre, mais uma vez, seu papel com excelência, ajudando os professores a atuarem melhor em um contexto extremamente difícil, confirmando o acerto na continuidade da Olimpíada neste momento”, concluiu.

Próximas etapas

O resultado dos vencedores será divulgado no dia 10 de dezembro. Os trabalhos finalistas serão analisados por uma comissão julgadora formada por especialistas em língua portuguesa, com experiência em trabalhos dessa natureza e familiaridade com o ensino e a prática de leitura e escrita, além de representantes das instituições parceiras, os quais irão avaliar os trabalhos apresentados.

Serão escolhidos 20 vencedores nacionais, quatro dos quais são professores, e suas respectivas turmas, em cada categoria. Entre as premiações estão notebooks para os docentes e tablets para os estudantes. As escolas dos vencedores também receberão acervos de livros para a biblioteca e placas de homenagens.

A edição deste ano recebeu 112.508 inscrições nas cinco categorias do concurso, alcançando 3.877 cidades das cinco regiões do Brasil. Participaram 27.847 escolas e 59.008 docentes. A semifinal mobilizou cerca de 6.500 professoras, professores e suas turmas de estudantes.

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