Meditação: a chave da nova consciência coletiva – Por Shirley Vidal


A palavra medicina e a palavra meditação vem da mesma raiz. Medicina significa algo que pode curar seu corpo. Já a meditação é sinônimo de algo que pode curar sua alma. O filósofo indiano, Osho, em sua obra ‘O esplendor oculto’, afirma que ao se tornar mais meditativa, uma pessoa fica mais consciente da natureza do seu ser. “Deixe o seu mundo interior tornar-se mais silencioso”, afirma, um indício para nos tornarmos menos reativos tanto aos estímulos externos, quanto aos internos, nesse fluxo intenso que é uma mão de via dupla. É, também, um método para identificar o que “o corpo fala”, título de um excelente livro.  Onde dói? Quais êxtases testemunha? De quais sentimentos comunga e com quem? Meditar é puro estado de flow, aquele momento onde se perde a noção de tempo e espaço, cuja concentração máxima está em viver o aqui e agora. Uma dança, uma conversa amiga, um riso descontraído, sou eu enquanto escrevo para este Espaço, uma música, ao fazer amor, ao mergulhar, surfar. Tudo isso será meditar para alguns seres que se entregam ao que amam fazer.
“As pessoas têm todos esses problemas: violência, ciúmes, miséria, ansiedade – mas o remédio para todas essas doenças é apenas um, e é meditação”, pontua Osho. Mas como “estar no mundo sem ser do mundo?”, uma recomendação do Mestre Jesus. Realmente é preciso desapegar, questionar todo tipo de crença e verdades absolutas que nos foram propagadas em família, nas academias e escolas, e na sociedade em geral. Uma nova oportunidade existencial surgiu para mim a partir de uma cirurgia. Decidi que desde então eu levaria uma vida mais leve, não só pelos 42 kg eliminados, mas que minhas atitudes e pensamentos se aproximariam cada dia mais do meu ideal de não me sobrecarregar com ambições desnecessárias e insistir em levar pesos que não eram meus.
Compreendi que comida demais não sacia. Bebida em excesso lhe entorpece por algum tempo e vicia. É preciso estar atento às artimanhas para a rota de fuga que a gente elabora para fugir de si próprio(a).
Decidi apostar nos meus sonhos mais genuínos. E por isso acredito também nos sonhos dos clientes que confiam seus projetos diante do trabalho ao qual me dedico. “Sonho sem atitude é delírio”. E por isso que a palavra or(ação) inclui convite à ação. Portanto, ora, vigia (a si, não aos vizinhos) e age. E também é preciso ter muito cuidado com o que se pede, mentaliza e fomenta. Toda reza tem poder. Mas quando não se está meditativo(a), no exercício infinito de se autoconhecer, pode-se pedir controle (por algo ou alguém) ao invés de libertação. Ou seria por acaso o ‘livrai-nos de todo mal’ do Pai Nosso? As pessoas se iludem até sobre quem são. Se vendem como ‘Chapeuzinho’, sem ouvir a versão do lobo, estigmatizado como mal. Inclusive os animais não negam seus instintos, são fiéis à sua essência.
A meditação também vai acordar de séculos de ilusão. Descobrir-se auto sabotador(a) e que está jogando contra os próprios interesses, é medonho, mas altamente libertador. Na busca por se conhecer, começa-se a identificar padrões repetitivos do sentir e agir, que nos dizem muito sobre quem somos. Aí de novo você se pega pensando: “de novo nesta prova filhinho(a)? Quando vai sair deste educandário e passar de ano?”. O esforço da existência é estarmos bem o máximo de tempo que pudermos. É um compromisso fundamental com o próprio bem-estar, com a saúde física, emocional, mental e espiritual. Este contrato de felicidade que devemos assinar com a gente mesmo(a) não pode ser delegado a validações externas: seja de pai, mãe, marido, comunidade, etc.
É verdade que assumimos responsabilidades, como por exemplo, educar e cuidar de quem amamos, como os filhos. E a meditação ela atende a um norte responsável chamado consciência, que é o nosso estado maior de conjunto de valores e crenças, do que é certo e errado, do que é bom ou ruim, do nosso senso de estarmos em paz conosco e com quem nos rodeia. Essa consciência, se amorosamente vasculhada, vai evoluir, expandir. Até pouco tempo as mulheres não podiam estudar e nem votavam. Escravizavam-se pessoas pela sua cor e etnia. O que mudou? A consciência coletiva evoluiu. Atualmente, com esta pandemia – e não uma guerra como fora em outros tempos – estamos em pleno chamado coletivo mundial para uma nova evolução. Mas ainda há criaturas aficcionadas na mentalidade de guerrilha, sinal que estão explodindo em guerras internas e, por isso, externam suas identidades auto combativas e auto destrutivas.
Meditar não irá nos isentar dos desafios de cada dia. Eles continuarão existindo e o que muda é a postura diante deles, a ser transformada na mesma medida que nos permitirmos transcender com os entraves. É óbvio que a vida é grande e maior que qualquer obstáculo. As cenas e personagens continuarão se descortinando no teatro do existir e irá nos exigir atuar, seja no palco ou na plateia. Meditar nunca foi se manter na inércia. Ao contrário, é a semente que brota no despertar da luz, da claridade que se passa a ter um entendimento maior. E cheguei ao ponto de desapegar de alguns conceitos que me aprisionavam. Na meditação aprende-se a ter fé no invisível e no indizível. É muito sutil porque envolve intuição. Em quê e em quem confiar então: em si primeiramente, e no mistério profundo que há um equilíbrio e harmonia divina a nos guiar. Eu preciso lhe dizer que, transitando com um corpo físico ou não, somos constantemente amparados, esclarecidos e também amados por uma inteligência sublime que liga e desliga os holofotes, bem como todos os personagens que roteirizam o nosso viver. “É preciso ter olhos de ver e ouvidos de ouvir”, elucida a fonte crística.
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