Condutor socorrista relata momentos críticos durante resgate no Nestor Piva


O incêndio ocorrido no Hospital de Pequeno Porte Nestor Piva, no dia 28 de maio, ainda deixa marcas profundas naqueles que direta ou indiretamente participaram da operação de salvamento. Um deles é o condutor socorrista e estudante de enfermagem, Franklin Neves Santos, que atua há dois anos na Constat, empresa que presta serviços de na remoção de pacientes para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e Prefeitura de Aracaju.

Franklin disse que estava em casa, por volta das 6h30, quando viu pela televisão o incêndio. Pouco minutos depois, ele foi acionado pela empresa e, mesmo de folga, se dirigiu até o local da tragédia para ajudar. Em decorrência da necessidade de evacuação e isolamento total do Nestor Piva, 35 pacientes que estavam internados precisaram ser transferidos para outras unidades, como o Hospitais de Urgência Governador João Alves Filho (Huse), Hospital da Polícia Militar (HPM), Hospital e Maternidade Santa Isabel.

“Quando cheguei, tomei logo aquele choque. O local parecia um filme de guerra. Mal chegamos, já iniciamos os atendimentos às vítimas. Um paciente foi colocado na maca pelo médico André Cardoso, que realizou o pré-atendimento e fomos autorizados a levá-lo para o Huse. E assim sucessivamente. Nem sempre a teoria funciona na prática. Em se tratando de um atendimento a múltiplas vítimas, o que se deve fazer é controlar a emoção, ter união, disciplina e uma boa logística de transporte de pacientes”, disse Franklin.

Depois transferir os pacientes do hospital, foi dado início a tarefa mais difícil, segundo Franklin, que foi transferir os colegas da área saúde. “Muitos estavam cobertos de fuligem preta da fumaça. Sem ar, com queimaduras, em desespero. Após muitos choros, abraços calorosos e um momento que ficará marcado na minha vida, sabe a sensação de dever cumprido, de sede saciada, de sonho realizado, do fim da história, do ponto final? Foi isso que eu senti. Tudo em um único dia, mas até chegar nesse tal dia, foi doloroso e difícil”, comentou.

Perícia

As causas do incêndio no Nestor Piva estão sendo apuradas pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o órgão, o fogo teve início na sala dos médicos. Em cerca de 30 minutos todos os pacientes já haviam sido retirados da parte interna do hospital e o fogo estava controlado. O relatório com o resultado da perícia feita no local, com o intuito de identificar as causas do incêndio, será divulgado no prazo de 30 dias. Cinco pessoas acabaram morrendo em decorrência do incêndio.

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