Pandemia, CPI, política… – Por Edvar Freire Caetano


A pandemia grassa pelo mundo, pontificando com mais perversidade onde os governos vacilaram na adoção de medidas acautelatórias, que, hoje, se revelam indispensáveis, mas que não foram suficientes no ano passado, quando o governo do Brasil ¬ como o da Índia, por exemplo ¬, apostou na passagem do surto sem maiores complicações.

A dicotomia estabelecida entre economia do país e saúde da população pautou discursos estéreis de situação e oposição, transformando a dor de uma nação em jogo de interesses políticos com vistas ao pleito de 2022, quando essas forças estarão pleiteando o voto da população para eleger o agrupamento da próxima gestão.

Aqui se fala de agrupamento porque é difícil, aliás, é raro um sujeito eleger-se presidente de um país como o Brasil sem fazer parte de um forte aglomerado de políticos de cúpula, mancomunados com a grande mídia. O caso de Bolsonaro, portanto, é uma raridade.

Os mortos se aproximam de meio milhão, e já não há uma só pessoa no Brasil que não tenha perdido um conhecido, um amigo, um parente. Ou seja, a pandemia está muito próxima de todos, mas os políticos não mudam o conteúdo do discurso.

Na plenitude dessa crise sanitária, quando se espera uma atitude de coalisão de forças em defesa da vida e da economia, porque uma está ligada à outra, surge essa malsinada CPI da Covid!

O que se pode esperar desse teatro, além da performance de artistas que se revezem nos holofotes da Rede Globo, com seus autoproclamados 100 milhões de espectadores diários?

Era de se esperar dos políticos a criação de uma força-tarefa para aquisição de vacinas dos laboratórios acreditados em redor do mundo, não uma CPI meramente fomentada para enquadrar adversários, com a visão voltada não para o combate à pandemia, mas, sim, para as eleições do próximo ano.

O relator da CPI é o conhecido Renan Calheiros, político alagoano, campeão de votos na Terra dos Marechais e que elegeu seu filho governador do Estado. No Brasil, entretanto, ele não é um modelo de retidão na vida política, respondendo por cerca de 17 processos, alguns por corrupção e lavagem de dinheiro.

O presidente da CPI, por sua vez, Omar Aziz, é acusado, justamente, por desvios de recursos da saúde, quando foi governador do Amazonas, e são estes os responsáveis diretos pela apuração de irregularidades na aplicação dos bilhões de reais repassados aos estados e municípios, bem como pela atuação do presidente da República no combate à pandemia.

Não é fácil acreditar em um procedimento imparcial dessa Comissão de Inquérito, embora o senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da Comissão, seja, até o momento, um político honesto.

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