Profissionais da beleza pedem socorro em Sergipe


“Nós fazemos esse verdadeiro papel de terapeutas da beleza, porque beleza também é saúde”

Por: Edvar Freire Caetano – CinformOnline

A economia está de mãos atadas, com quase todos os segmentos fechados por decreto de governadores e prefeitos, que têm nas mãos a difícil tarefa de decidir entre a pandemia que assola a sociedade mundial, e a crise econômica que destrói a economia.

No centro da crise, os salões de beleza estão há meses com suas portas fechadas, levando às margens do desespero muitos milhares de brasileiros que dependem diretamente dessa atividade, tragédia que não é diferente em Sergipe.

Aqui em Sergipe, organizados pela graduada e mestranda em cosmetologia Sílvia Carvalho (Silvia Beauty), profissionais recorreram ao governador Belivaldo Chagas, em manifestação à porta do Palácio, em busca de uma saída para o elevado prejuízo a que estão submetidos.

A reportagem do CinformOnline ouviu proprietários de salões, que contam seus dissabores com essa prolongada quarentena. Uma pessoa pediu para não ser identificada, e vamos tratá-la como ESB.

CINFORM – Há quanto tempo os salões de beleza estão fechados?

ESB – Fechados, sem trabalho, sem renda, há 70 dias.

CINFORM – Os salões estão demitindo pessoas?

ESB – Sim, estão

CO – Existe alguma proposta da classe para o governador?

ESB – Dos donos de salões ter aberturas com restrições de 3 dias na semana no caso (Terça e quinta e sábado ) neste momento com total segurança para cliente e profissionais fazendo agendamento
separado horários conveniente para ambas as partes para ter tempo de fazer higienizaçoes para receber outro.

CO – Qual a situação dos que trabalham nos salões?

ESB – Muito tristes e desprotegidos.  Como se fossem um lixo, é isso que escuto e por isso eu vou doar meu sangue pra isso; é para todos serem respeitadosomo estão os profissionais que presta serviços no salões(

CO – Por quanto tempo você acha que a classe vai suportar?

ESB – Ninguém tem mais suporte. Até mesmo os maiores sofrem ainda pior, principalmente os de shopping que pagam aluguel alto e condomínio, e aqueles que estão fora, em pontos alugados, já entregaram vários imóveis, mais de 38%.

Depois o CinformOnline gravou com Silvia Carvalho. A seguir, um resumo da entrevista.

CO – Fale o que você precisa dizer sobre todo esse problema envolvendo a paralisação da atividade.

“Bem, o que eu tenho para falar para o CinformOnline é o seguinte: além desse tempo todo em que os salões estão fechados, 70 dias, aqueles que pagam aluguéis, muitos já estão entregando os imóveis, porque não estão mais podendo pagar; estão se instalando na garagem da sogra, outros estão vendendo cadeiras [cadeiras especiais de cabeleireiros] para se alimentar, outros para pagar boletos e honrar seus empréstimos nos bancos… outros estão negociando os alugueis e mesmo assim não podem pagar… despejo os donos não podem fazer, é um caos… tem muitas cidades, muitas capitais em que os governos já estão priorizando os profissionais da área da beleza. Porque tem funcionários que estão em casa e como é que os donos de salão podem arcar com as despesas deles se não têm dinheiro? Como pagar aluguel, água, comida, que é a única coisa que não espera? Quem está comendo está vendendo o que tem. Eu conheço, já visitei vários salões que venderam cadeiras, secadores, outros venderam motos para pagar o aluguel e se manter no ponto”.

CO – Silvia Beauty continuou:

“Então eu perguntei: como você vai fazer, quando passar a pandemia, para comprar de volta seus equipamentos? ¬ Ah! Beauty, aí eu vou pensar, porque eu não sei mais o que fazer. Porque nem todo mundo recebeu a ajuda emergencial. De cada 100, somente 30% receberam, se receberam! O restante está sem receber, então é isso, certo”?

A reportagem indagou da Silvia Carvalho se ela pensa em alguma saída, ao que a profissional respondeu:

“Isso tem que sanar, isso tem que parar, porque a doença é um vírus e vírus ninguém tem como impedir, as pessoas vão gripar[se contaminar]. Fizeram a alienação das pessoas com essa criação química, biológica e agora está se tornando mais uma criação política, entende? Então é bom que as pessoas tenham a visão de que não é tão grave assim. Se não for necessário usar a máscara para evitar o contágio, então é melhor ninguém mais viver, ninguém mais sair de casa, ninguém mais fazer nada. Vamos usar a máscara; vamos fazer a higienização de quem entra e de quem sai; se você tem 10 clientes no dia, atende 5, deixa os outros para o outro dia, e [vamos] reduzir para 3 dias por semana, terça, quinta e sábado e o direito de atender o cliente em casa, inclusive utilizando luvas. O meu pedido é que o governo tem que sensibilizar. As pessoas vão querer ir à luta. Até hoje eu não vi os governantes fazerem alguma coisa pelos cabeleireiros, pelos donos de salão, não vi. Não dão a mínima valorização à classe, que é uma classe respeitabilíssima e eles não veem isso; o profissional da beleza é um terapeuta; o cliente senta na nossa cadeira e ali nós somos [semelhantes a] um psicólogo, para ouvir, para escutar, perceber que outro cliente não escute a conversa, nós fazemos esse papel de terapeuta da beleza e beleza é saúde, beleza é saúde. Mas, o governo diz que tem uma área técnica que está analisando esse segmento, que envolve beleza, saúde e bem- estar.

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