Em Aracaju, educação nutricional e agricultura familiar são valorizadas na merenda das escolas


Para proporcionar uma alimentação saudável e balanceada aos mais de 30 mil alunos matriculados nas escolas da rede municipal de ensino, a Prefeitura de Aracaju, por intermédio da Secretaria Municipal da Educação (Semed), tem um cuidado especial com a oferta da merenda escolar, desde a escolha dos alimentos até o trabalho de educação nutricional desenvolvido junto aos estudantes.

A regularização da merenda na rede pública de ensino gerenciada pela Prefeitura foi uma das primeiras medidas tomadas pela atual gestão. Para tanto, uma empresa terceirizada distribui os alimentos, porém, tanto o cardápio, quanto a forma de preparo e maneira que devem ser servidos são determinados pela Semed.

A coordenadora da Alimentação Escolar da Semed, a nutricionista Joice Barbosa, explica que existe cardápio específico para cada modalidade de ensino da rede. “Uma para os pequenos, de 4 a 12 meses de idade, outro para crianças a partir de um ano, um para pré-escola, que é o mesmo do Fundamental, um para a Educação de Jovens e Adultos [EJA] e outro para o atendimento à educação especializada”, detalha.

Segundo Joice, para a creche, são quatro refeições por dia e para o Ensino Fundamental, pré e EJA, uma refeição. “Já quem está inserido no Programa Mais Educação é como se tivesse em tempo integral, então, são três refeições. O número de refeições é de acordo com o tempo que o aluno passa na escola”, pontuou a coordenadora ao acrescentar que, mesmo no período de férias, as creches funcionam normalmente, fornecendo as refeições.

A entrega dos produtos também atendem cuidados específicos. Alimentos semi-perecíveis, como feijão, arroz, entre outros, são entregues a cada 15 dias. Já frutas e verduras são entregues semanalmente, justamente para que se mantenham frescas e não corram o risco de estragarem.

Do cardápio à mesa
Alimentos como feijão, arroz, carne e frutas são fixos nos cardápios, diferem apenas na forma de preparo. Além destes, outros produtos, sobretudo regionais, como o cuscuz, fazem parte da lista.

Segundo Joice Barbosa, muitas especificações da merenda são determinadas pelo Programa Nacional de Alimentação (PNAE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que realiza o repasse da verba para a merenda escolar das redes estaduais e municipais.

De acordo com a Semed, o FNDE determina que, para creches ou alunos de tempo integral, a merenda deve a atender 70% das necessidades nutricionais. Para os alunos de período parcial são 20% das necessidades nutricionais.

“Só que, na realidade de Aracaju, damos mais do que 20% porque sabemos que muitos dos alunos só se alimentam na escola. Um dos princípios da alimentação escolar é favorecer o desenvolvimento, a aprendizagem e crescimento biopsicossocial, então, para a criança aprender, ela precisa estar bem alimentada. O cérebro precisa de alimento e alimento de boa qualidade. Eles precisam atingir peso e altura adequados, precisam ter o IMC adequado. Não podemos garantir a alimentação de casa, então, precisamos garantir, pelo menos, onde a gente pode interferir”, ressalta a nutricionista.

Capacitação, fiscalização e educação nutricional
A preocupação com a merenda escolar vai além do alimento em si. Toda a equipe de merendeiras, que também é contratada pela empresa terceirizada, passa por qualificações anualmente. Nestas qualificações, são desenvolvidas lições de boas práticas, entre outros pontos, para que todo o tratamento da merenda seja de extrema cautela.

O contrato formalizado pela Prefeitura aponta que deve haver uma merendeira para atender a 300 refeições. Por exemplo, se for uma creche com 100 alunos, que recebem quatro refeições por dia, já existe a necessidade de haver mais uma funcionária.

As equipes da Semed também promovem fiscalizações diárias nas unidades escolares. “A equipe de nutricionistas sai todos os dias para fiscalizar as escolas (são seis os nutricionistas); cada nutricionista fica responsável por um grupo de escolas. A empresa nunca sabe pra onde estamos indo. Seguimos uma lista com todos os pontos que devemos verificar. Caso exista algum problema, acionamos a empresa, mas, é bem raro acontecer porque já existe essa frequência de fiscalização”, explica Joice.

A nutricionista esclarece ainda que a equipe da Alimentação Escolar realiza educação nutricional com os alunos para conscientizá-los dos benefícios da alimentação saudável ofertada nas unidades. Além disso, os pais e responsáveis também são envolvidos no tema.

“Aproveitamos as reuniões escolares para conversar com os pais a respeito da merenda escolar. Aproveitamos o que há de melhor do hábito e mostramos isso aos pais nas oportunidades. É preciso envolver toda uma cadeia”, destaca a coordenadora.

Agricultura familiar

Além das refeições convencionais, a Prefeitura utiliza, ainda, produtos vindos da agricultura familiar para incrementar a merenda e incentivar a produção de cooperativas e famílias que vivem dessa atividade. São frutas, bebidas lácteas, bolos de batata doce, de laranja, e pães de macaxeira que chegam frescos às unidades escolares da rede municipal.

De acordo com a coordenadora da Alimentação Escolar da Semed, as cooperativas participam de uma chamada pública para poder fornecer os produtos nas escolas.

“Antes que produtos como bolos e pães sejam ofertados, fazemos um teste. A cooperativa fornece uma quantidade e entramos em contado com uma, duas escolas e fazemos o teste. Se os alunos aprovarem, passamos a ofertar em toda a rede por meio da chamada pública”, ressalta.

A entrega aos alunos é feita na entrada ou na saída da escola. “As diretoras veem, de acordo com a realidade da escola, qual o melhor horário. Se, na comunidade, a maior deficiência é logo de manhã, eles ganham quando chegam na escola. Caso não exista essa dificuldade, entrega na saída. Nunca é entregue junto com o cardápio dado pela empresa”, frisou.

Cardápio acessível
O cardápio de cada unidade fica exposto no mural das escolas, sempre à vista e acessível para que os pais ou responsáveis possam acompanhar a rotina alimentar das crianças. Nele constam toda a programação alimentar da semana.

 “Como deixo meu filho às 7h e só busco às 16h, me preocupo em saber o que ele come. Fico mais tranquila por saber que ele se alimenta bem e que a comida é bem cuidada. Isso é muito importante para a confiar na escola”, afirmou uma das mães que acompanha de perto a rotina do filho, Wallace, de 2 anos, Angélica Rodrigues.

Para Edvania Oliveira, mãe da Sofia, de 4 anos, que estuda em uma das creches da rede desde 1 ano e 3 meses, é essencial saber que a filha está suprida. “Para quem trabalha o dia todo e não pode ficar com o filho o tempo inteiro, saber que ele se alimenta bem é uma preocupação a menos. Vejo o cardápio exposto e observo como ela está sendo alimentada e me alegra ver que está tudo indo bem”, considerou.

Vanise Dias é porteira de uma das escolas municipais de Aracaju, tem um neto que estuda na mesma unidade e os seus seis filhos também passaram pelo mesmo local de ensino. Segundo ela, a merenda melhorou muito nos últimos anos. “Teve um tempo que nem tinha merenda escolar direito. Com essa gestão, a alimentação das crianças nunca faltou e é de boa qualidade. Como trabalho numa escola, vejo bem de perto todo o cuidado e sei que meu neto está bem tratado”, apontou.

Foto: Marcelle Cristiane

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