EDITORIAL: Não concordo, plenamente, com Eliane Brum


(Foto: Divulgação)

Lendo os textos da admirada jornalista, notoriamente alinhada com o pensamento que domina a mídia e boa parte da intelectualidade da América Latina, prendo-me ao seu retrato da ditadura brasileira, publicado no El País. A essência da discussão – se é que se admite discutir – é que o regime militar endureceu, é verdade, e escreveu uma página infeliz que amordaçou as liberdades neste país por 20 longos anos.

Entretanto, como fazem os nossos historiadores, ao meu ver, Eliane associa e confunde duas coisas, que são muito distintas: a conhecida tomada do poder pelos militares, em março/abril de 1964, de um lado, e, de outro, a ditadura instalada, ano após ano, em resposta ao recrudescimento das forças comunistas que se espalharam pelo Brasil, inclusive com incursões armadas e atentados terroristas nas cidades e no campo, tudo sob orientação e patrocínio de estados comunistas, essencialmente, de Cuba e da União Soviética, que cooptavam – nas universidades, nos quartéis e em um modesto segmento da Igreja Católica – adeptos na América Latina, objetivando implantar no Brasil e no continente uma ditadura stalinista. Jamais, uma democracia!

Entendo como romanceada uma interpretação de que aquele grupo desejava instalar no Brasil uma democracia, e, para lastrear a minha convicção, basta descortinar a visão e dar uma olhada nos países latino-americanos que adotaram o tal regime, como, por exemplo, a pobre Venezuela.

Ou erguer os olhos e ver mais adiante, observando a miséria de nações que não adotaram o capitalismo como doutrina – caso da Coreia do Norte – ou, ainda, que estejam mascarando a explícita abertura do capital com ditaduras típicas de regimes ditatoriais, sejam eles de direita ou de esquerda. Aqui me reporto, especificamente, à China e à Rússia.

Sobre nazismo, ou fascismo, não percebo onde fica a diferença, já que o primeiro nasceu sob inspiração do segundo, e ambos convergem para uma raiz comum, que é o domínio social por uma equação de cooptação política populista, sempre amparada pelo poder da força do estado, que é exercida, é claro, pelos militares, pouco importando se Bolsonaro diz que nasceu de semente trabalhista (despautério); ou se outros, aficionados à espiral do silêncio, afirmam ser um movimento genuinamente militar(disparate).

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