21% dos aposentados seguem trabalhando, segundo SPC Brasil


Muitos aposentados seguem trabalhando para complementar a renda

Segundo especialistas, a experiência dos mais velhos pode contribuir com colegas

A aposentadoria é o sonho de todo trabalhador. Depois de tantos anos de trabalho, finalmente poder descansar e aproveitar a vida. No entanto, segundo um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgado no final do ano passado, 21% dos idosos continuam trabalhando, mesmo já estando aposentados.

Ainda segundo o SPC Brasil, uma das principais razões para os aposentados se manterem ativos no mercado de trabalho é o fato de a renda não ser suficiente para pagar as contas (47%). Já 48% disseram que querem se sentir produtivos nessa fase da vida e 46% buscam manter a mente ocupada.

A gerente de Finanças de uma rede de óticas, Luciene Andrade se encaixa no grupo de aposentados que seguem trabalhando. Segundo ela, além de complementar a renda, o trabalho mantém sua mente ativa.

“Mesmo aposentada eu sigo trabalhando porque o salário complementa a minha renda, mas também porque não me vejo em casa sem fazer nada. No trabalho eu me completo e me sinto mais forte”, comenta.

Luciene Andrade, aposentada

MUITO A OFERECER
Apesar de muitos aposentados reconhecem, na pesquisa, que tiveram dificuldades em conseguir uma oportunidade, principalmente por enfrentar preconceito com a idade avançada, especialistas em recursos humanos afirmam que eles têm muito a contribuir em uma empresa.

“Os aposentados possuem experiência de trabalho e uma história de vida que pode contribuir com os colegas, principalmente os mais novos que estão iniciando a carreira profissional. Para as empresas o aspecto positivo é o amadurecimento da equipe com a troca de experiência. Nesta relação todos ganham. Outro fator que pode influenciar no processo de contratação de aposentados é a decisão do ponto de vista econômico. Os aposentados normalmente querem um emprego para complementar a renda e as empresas não precisam oferecer altos salários. Além disso, possuem benefícios como gratuidade de transporte e a prioridade nas filas que aumentaria a agilidade em alguns processos”, comenta a consultora em RH Flávia de Oliveira Barbosa.

Flávia de Oliveira, consultora de RH

Ainda segundo Flávia de Oliveira, um dos maiores obstáculos enfrentados pelos aposentados para voltarem ao mercado de trabalho é o domínio das novas tecnologias e dos novos meios de comunicação que conecta pessoas como as redes sociais Segundo ela, a falta de conhecimento e de agilidade na utilização dessas ferramentas tecnológicas são limitadores do processo de trabalho e consequentemente pode impactar na seleção e escolha desse profissional.

“Na maioria das vezes a preferência é por profissionais mais novos e que tenham conhecimento com tecnologias, já que o mundo é digital e as empresas estão cada vez mais globalizadas. Quando o perfil da vaga ofertada é para gestão a experiência é um grande diferencial. Nesse caso específico, profissionais mais velhos podem se destacar em relação a experiência o que não significa, necessariamente, que são aposentados. O que conta neste aspecto, além da experiência, não é a idade e sim a disposição para o trabalho”, acrescenta.

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