Primeiros alimentos da vida


Sucos, chás, sal e açúcar já não são mais indicados até um ano de idade

O primeiro ano de vida de uma pessoa é de descobertas, a cada dia é um passo no desenvolvimento. Aos seis meses chega a hora de uma das maiores mudanças, o leite materno ou a fórmula deixam de ser o alimento exclusivo e passam a dividir as refeições com as papinhas e as frutas.

Porém não é tão simples quanto parece. A estudante de jornalismo, Kananda Micaela, teve dificuldades no inicio da introdução alimentar do seu filho Luiz, de onze meses. “Senti dificuldade porque ele fechava a boca na hora que eu tentava da à comida, então pra ele criar confiança eu deixei ele pegar a comida com a própria mão pra ele sentir sozinho o sabor, ao gerar essa confiança  ele continuei insistindo, até que hoje ele abre a bocona pra comer”, destaca.

Além da adaptação do bebê aos alimentos Kananda ainda precisou aprender a cozinhar e as mães do Instagram foram às inspirações. “A introdução alimentar pra mim foi muito importante, porque eu não sabia cozinhar. Com a chegada do meu filho eu precisei aprender pra poder cuidar dele, foi tudo muito novo, mas eu pesquisei muito principalmente no Instagram. Hoje eu sigo mamães que são nutricionistas e que ensinam a fazer a introdução alimentar em cada fase. É  com essas mamães que eu vejo os cardápios e escolho o que vou fazer pra meu filho”, conta.

O pediatra, Hugo Leonardo, explica como é indicado o começo da introdução alimentar. “A introdução alimentar é a porta de entrada de um novo mundo, fundamental para a nutrição infantil, um tanto assustador para o universo dos adultos, principalmente quando se tratam de pais de “primeira viagem”. Com 6 meses, está indicada a primeira “papa” principal no horário do almoço (antigamente chamada de papa salgada, mas o termo entrou em desuso pela contraindicação do sal). Aos 7 meses, aconselha-se dar ao bebê 2 “papas” principais (uma no almoço e uma no jantar). Fora as “papas” de frutas que podem ser ofertaras como “lanches” ou “sobremesas”, conta.

A nutricionista materna infantil, Naiana Oliveira, explica que é preciso respeitar o desenvolvimento de cada bebê, além da importância de uma orientação profissional na introdução alimentar. “Quando iniciamos devemos ter a consciência de que é uma fase de treinamento e que aquele bebê não vai comer muito. Digo sempre aos pais que devemos ter três coisas na introdução: orientação, prazer em comer, persistência para tentar todos os dias e não desistir, e paciência”, diz.

Na pratica

O pediatra destaca que sal e açúcar não devem estar na alimentação de crianças de até um ano. “A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda introduzir sal e açúcar até, pelo menos, um ano de idade na alimentação da criança. Essa introdução pode ser simples e natural, bem semelhante ao que os pais comem, influenciando e estimulando um estilo de vida saudável para toda a família”, ressalta.

Hugo ainda explica que o primeiro contato com os alimentos estimula o sistema imunológico da criança evitando reações alérgicas no futuro. “A orientação é que os alimentos devem ser amassados separadamente, com garfo, ou picados, variando entre os diversos grupos alimentares e colorindo o prato (proteínas vegetais, proteínas animais, legumes, verduras, tubérculos ou cereais). E em relação às frutas, hoje já recomendamos a troca dos sucos pela própria fruta em pedaços, pois o bebê consome menos açúcar e as fibras dessas frutas. O contato precoce com alguns alimentos que antes eram absolutamente vetados no início da introdução alimentar, como ovo, banana, amendoim, carne de porco… estimula o sistema imunológico a assimilar as proteínas responsáveis por alergias e, dessa forma, evita a reação. Estudos recentes apontam índices baixos de alergia no primeiro contato (cerca de 3% em relação ao amendoim, por exemplo)”, conta.

Erros

A nutricionista materno infantil, Naiana, comenta alguns erros comuns que os papais de primeira viagem comentem. “O principal é não comparar o seu bebê com os outros, pois cada bebê tem desenvolvimento em velocidades diferentes e no caso de comida, envolve diversos fatores para dar ou não certo uma introdução. Também muitos pais, pela inexperiência, quando vê o filho não aceitar nas primeiras papinhas, já passam no liquidificador tudo misturado, isso pode ocasionar diversos problemas futuros não só na alimentação como também no desenvolvimento da criança.A dica é.… procure um profissional que você confie e siga as orientações, seja paciente e respeite seu bebê, não force”, destaca.

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