Número de diagnósticos de Borderline aumenta


O comportamento difícil pode ser um transtorno psiquiátrico

Uma pessoa difícil de lidar, egoísta, impulsiva, autoritária, sem empatia, agressiva, com relações instáveis, são alguns sintomas do transtorno de personalidade limítrofe ou borderline, comum em consultórios psiquiátricos. Atualmente o Brasil possui em torno de dois milhões de pessoas com o transtorno, número que tem aumentado com a ampliação de informações.

A residente de psiquiatria do Instituto Bairral, Erica Meireles, explica os sintomas do transtorno de personalidade bordeline. “O transtorno de personalidade borderline é caracterizado por um padrão disfuncional de instabilidade emocional e nas relações interpessoais, diagnosticado a partir dos 18 anos, idade em que a personalidade já está formada. As pessoas com esse funcionamento geralmente tem relações intensas com pessoas próximas, mas quando frustradas, quebram seus vínculos próximos, tornando-se solitárias. Possuem também problemas com sua autoestima, podem apresentar comportamentos impulsivos que as colocam em risco para adições, compulsão alimentar, direção irresponsável, gastos excessivos, promiscuidade, auto e heteroagressividade. No tocante a autiagressividade, é comum que pessoas com esse transtorno se coloquem em risco de suicídio constantemente. Apresentam reações explosivas muitas vezes inapropriadas, muitas vezes por medo de serem abandonadas pelas pessoas com quem tem apego emocional – um abandono nem sempre real, mas muitas vezes, imaginando”, conta.

Erica explica que o transtorno pode ser detectado desde a adolescência. “São detectados desde a adolescência os traços de tal transtorno, e tretanto, o diagnóstico só pode ser fechado após os 18 anos, idade em que a personalidade está formada, para assim definir o transtorno. De modo geral, no início da vida adulta a pessoa mantém esse padrão, sem mudanças significativas no seu funcionamento mesmo com vivências que confrontem tais comportamentos disruptivos”, conta.

A residente de psiquiatria explica como é o tratamento da doença. “É mandatário, no tratamento de pessoas com esse transtorno, a psicoterapia. O transtorno de personalidade é um problema na formação do ego do indivíduo. O ego proporciona que retardemos a descarga de impulsos e que modulemos nossos afetos; como há uma quebra na formação, o indivíduo não consegue utilizar a consciência para orientar seu comportamento.  A psicoterapia visa empoderar a consciência do indivíduo e torná-lo mais deliberativo nas suas ações, ou seja, menos impulsivo e reativo. Também são usadas medicações, como auxiliares no tratamento, visando reduzir ansiedade, sintomas depressivos e impulsividade, entretanto, os psicofármacos são tratamentos secundários à psicoterapia. A evidência científica atual mostra que após 2 anos de psicoterapia, esses indivíduos demonstram mudanças marcantes no seu funcionamento, tornando-se mais adaptados”, explica.

Aracaju

A coordenadora da Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, Chenya Coutinho, explica como é a assistência do SUS Aracaju em casos de diagnostico de borderline.

“O cuidado a pessoas com diagnóstico de transtorno de personalidade limítrofe envolve uso de psicotrópicos, psicoterapia e acompanhamento da família.Na rede SUS Aracaju o cuidado é ofertado nas referências em saúde mental (10 referências adulto e 4 referências infantis) e em casos moderados o cuidado também é realizado nos centros de atenção psicossocial (CAPS). Nos CAPS os usuários contam com uma equipe multiprofissional, composta por médico psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, educador físico, assistente social, equipe de enfermagem, farmacêutico, dentre outros.

Chenya explica que a cidade de Aracaju posssui 4 CAPS adulto, sendo um CAPS específico para o cuidado a pessoas que fazem uso nocivo de álcool, crack e outras drogas e 02 CAPS infanto juvenis, sendo um especifico para casos de crianças e adolescentes que também fazem uso nocivo de álcool, crack e outras drogas, que estão disponíveis gratuitamente. “Os CAPS são serviços porta aberta, que quer dizer que para um primeiro acolhimento não é necessário agendamento, basta dirigir-se ao CAPS da região em horário comercial, com identidade e cartão SUS, que a equipe realizará uma primeira avaliação para encaminhar de forma a atender mais adequadamente cada pessoa, em contemplando as questões singulares de cada caso”, destaca.

Estado

A psiquiatra da Maternidade Nossa Senhora de Lurdes, Ana Salmeron,  explica as características do transtorno mental. “O que caracteriza a Bordeline é a impulsividade e o descontrole das ações são pessoas que se preocupam muito consigo mesmo, tudo que acontece em volta é para que ela fique bem seja a qualquer custo, sem se importar com o que o outro está sentindo.  Eles podem cometer atos como, por exemplo, se cortar, usar medicações em excesso, eles são muito impulsivos”.

A psiquiatra destaca que o tratamento não é tão simples e precisa de um acompanhamento profissional. “Os pacientes com Burderline são atendidos de uma forma geral como todos os casos de doenças psiquiátricas, sendo que eles são mais difíceis na recuperação, comparado com transtorno do pânico. Porque você tem que lidar com a medicação adequada para cada paciente, geralmente se usa um neuroletico, que é um anti-psicótico causando um resultado positivo”, conta.

A psiquiatra, Ana Salmeron, destaca que o número de pacientes na rede pública que são diagnosticados com bordeline tem aumentado. “Eu não acho que aumentou o número de pessoas com bordeline, mas que eles antes eram tidos como pessoas agressivas ou controladoras somente. Hoje as famílias, principalmente, vêm percebendo que é um problema de ordem psiquiátrica, que antes ficava só na linha do mau comportamento, comportamento desafiador, hoje está esclarecido que é uma doença e é preciso de tratamento”, ressalta.

Ana explica o que acontece quando um paciente é diagnosticado na rede estadual de saúde. “Não é um diagnostico simples, ele confunde com ansiedade, com depressão, com esquizofrenia, mas assim que você clareia o diagnostico você medica o paciente e encaminha para o laboratório de psiquiatria da cidade do paciente com todo o seu histórico”, conta.

 

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