Lojas colaborativas fomentam economia criativa no estado


O modo de consumir os produtos tem mudado, o consumo consciente é a moda da vez, saber de onde vem a produto, como é feito, quem fez se tornou um atrativo na hora das compras. Acompanhando essa tendência Aracaju começa a ter lojas colaborativas que permitem que o micro empreendedor tenha um espaço para a venda dos seus produtos.

Gambiarra Loja Colaborativa

A Gambiarra Loja Colaborativa é quase um bebê, com vinte expositores e fila de espera o espaço está localizado no Shopping Rio Mar, local de alto fluxo de compras. Isabele Ribeiro, uma das idealizadoras da loja conta como o projeto começou.

“A loja surgiu a partir de um convite de duas expositoras da Feirinha da Gambiarra. Elas já participam de uma loja no mesmo formato e como o desejo de abrir uma loja colaborativa com o nosso nome já era antigo, marcamos um café e em praticamente três semanas já estávamos inaugurando a loja no Riomar, foi uma loucura”, disse.

Isabele defende a experiência de compra das lojas colaborativas. “O formato de loja colaborativa já existe no mundo todo, é super comum em grandes cidades como SP e consiste, basicamente, numa pequena galeria formando um mix de várias marcas de pequenos empreendedores criativos. Cada estante/arara uma marca diferente. O bacana disso é proporcionar uma experiência de compra diferente do formato de loja comum: o cliente tem uma gama gigante de produtos num lugar só, a maioria deles de um expositor que faz todo o processo criativo de forma independente”, explica.

Também idealizadora da Feirinha da Gambiarra, Isabele destaca as vantagens da loja colaborativa. “Enxerguei a oportunidade como uma forma de levantar a bandeira que já carrego há anos com a Feirinha da Gambiarra: fomentar a Economia Criativa local e fortalecer a cadeia produtiva desses empreendedores que tem como principal insumo a criatividade. A opção de levar as marcas ao público do shopping, que muitas vezes é diferente do que frequenta da feirinha faz parte do plano. Muitos deles não teriam como abrir uma loja com ponto fixo num shopping com custos altíssimos, a loja proporciona isso: eles pagam uma taxa razoável e tem seus produtos sendo vendidos num ponto de alto fluxo da cidade com todo o suporte de vendas, embalagem, marketing, etc”, conta.

Proprietária de uma da marca Filhote&Co que produz laços exposta na Gambiarra Loja Colaborativa, Vanessia Neves, conheceu da idéia de loja colaborativa em uma viagem.

“Esse formato de loja nada mais é que um espaço empresarial coletivo onde  pequenos empreendedores criativos dividem custos fixos e têm a oportunidade de apresentarem seus produtos ao público em uma loja física. É uma grande loja com pequenas lojas dentro. Esse modelo de negócio oferece aos microempreendedores a oportunidade de expor sua marca com menor investimento financeiro. É uma solução para pessoas que dedicam seu tempo para tornar sua idéia uma realidade e precisam de um auxílio para levá-la a publico”, destaca.

Vida Doca

Mais do que uma loja colaborativa, um espaço cultural, produtora de eventos com um café que ao mesmo tempo é bar, ­­na Rua Nossa Senhora do Socorro a Vida Doca foi uma idéia dos irmãos Rafael e Vinicius Benevides que queriam montar um negócio que enaltecesse a cultura do estado.

Rafael explica como foi o processo criativo para montar a Vida Doca. “A idéia era fazer mais que uma loja colaborativa, porque a gente sabe que a inserção desse modelo no mercado da gente seria um pouco difícil de digerir para os nossos possíveis clientes. Então a gente trabalha com a idéia de centro cultural, então a gente vende conteúdo, idéia, então hoje tem campanhas de “compre de quem faz”, “saiba quem faz suas roupas”, a idéia é partir na contramão do consumismo. Apesar de ter uma loja a gente não incentiva o consumismo, e sim que você compre de uma pessoa que faz para o fortalecimento de cultura do mercado local”, explica.

Completamente mutável o espaço pode receber diversos expositores. “A gente procurou um espaço grande para comportar o maior número de marcas possíveis, ainda não chegamos ao nosso limite. Os expositores têm rodinhas, aqui é tudo mutável, exatamente para atender o maior número de expositores possível”.

A distribuição das marcas é realizada de forma dinâmica, fazendo com que o cliente conheça diversas marcas em uma visita. “Se eu fizesse uma loja com espaços determinados por marca, a pessoa vem atrás da marca A compra e vai embora, então a gente pensou em não separar por marcas, se você entra pensa que é uma loja normal. Tem uma arara com roupas femininas e aqui eu tenho cinco marcas, então você vai atrás de uma marca e acaba conhecendo outras marcas porque estão juntas na arara, isso acaba criando uma competição saudável e publicidade”, conta.

Proprietária marca de roupas e acessórios @nanaoliveiraloja que está exposta no DOCA, Naná Oliveira, destaca o benefício da loja colaborativa. “Existe uma dificuldade de expor nosso trabalho de maneira que se dê seu devido valor. Antes da chegada de lojas colaborativas em Aracaju, a única possibilidade de trabalho era em feirinhas e o mercado nas redes sociais. A possibilidade de ter um espaço físico para vender nossos produtos de uma forma circular, que nos dê um retorno financeiro real, só veio a partir desse modelo de comércio”, conta.

A farmacêutica e fitoterapeurta, Jamille Souza, proprietária da Inaêmarca de cosméticos artesanais e naturais que une a saboaria natural com os conhecimentos da aromaterapia e os saberes ancestrais, comenta como as lojas colaborativas podem ajudar quem está começando a empreender.

“A decisão de participar de uma loja colaborativa vem da necessidade/possibilidade de disponibilizar os produtos e informações ao meu público de forma mais fluida, que é o que uma loja física possibilita, a um custo viável para o orçamento de um microempreendedor. Sabendo que é esse é apenas um dos motivos práticos para estar inserida no processo colaborativo, porque se formos ampliar o olhar, o espaço colaborativo possibilita uma infinidade de vantagens para todos os envolvidos como o aumento na visibilidade das marcas (marcas mais jovens se ancoram em marcas que já galgaram seu espaço no cenário), organização do tempo do artesão que fica mais “livre” para se dedicar às etapas de criação dos produtos e outros”, explica Jamille.

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