Transplante: uma nova vida. Uma nova chance


Em setembro é comemorado o mês do doador

Desde que o primeiro transplante de órgãos foi realizado no mundo, ainda no início do século XX, ele representa uma esperança para as milhares de pessoas que, por alguma doença grave, tem nele a última chance de melhorar a sua qualidade de vida.

Hoje, no estado de Sergipe, 194 pessoas aguardam por um transplante de córneas e uma por um transplante de coração. Os únicos tipos de transplante que os hospitais sergipanos estão autorizados a fazer no momento. O que obriga 475 pessoas a fazerem tratamento fora do estado enquanto aguardam por um transplante de rim. Já que desde 2012 nenhum hospital daqui está autorizado a realizar o procedimento, mesmo que existam equipes preparadas.

TIPOS DE DOADORES

Benito Fernandez, coordenador da Central de Transplantes de Sergipe

Segundo o coordenador da Central de Transplantes de Sergipe, Benito Fernandez, existem três tipos de doadores e cada um tem a sua limitação para doação.

“Os doadores vivos podem doar medula óssea, sangue, um rim e partes de alguns órgãos como o fígado. Já o doador falecido com o coração parado só pode doar tecido e córneas em até seis horas. Somente aqueles que tem a morte encefálica diagnosticada pode doar órgãos”, explica.

Porém, Benito Fernandez lembra que é muito importante que as pessoas que desejam doar seus órgãos após a morte manifestem o seu desejo aos familiares. Segundo a lei brasileira, apenas os cônjuges e parentes até segundo grau podem autorizar ou não a doação.

“Sergipe está acima da média nordestina na identificação de potenciais doadores. Seguindo as normas do Ministério da Saúde para o diagnóstico de morte encefálica, nós identificamos em média 100 potenciais doadores por ano. No entanto, não conseguimos concluir o protocolo de 40 por cento e quase 70 por cento das famílias entrevistadas não aceitam a doação por inúmeros motivos”, comenta.

Até a última quinta-feira (23), o estado de Sergipe registrou apenas sete doadores efetivos de órgãos em 2018. Menos de um por mês.

A jornalista Sheila Dias conta que já manifestou o seu desejo de ser doadora de órgãos após a sua morte. “Eu acho que o que não me serve mais pode servir ao outro. Um dia quando eu morrer, se meus órgãos estiverem em condições de serem doados, eu desejo que eles possam salvar a vida de outra pessoa e, consequentemente, de uma família”, conta.

O primeiro transplante de pele do estado foi realizado este mês

AUTORIZAÇÃO ESPECIAL
Na segunda-feira (20) foi realizado o primeiro transplante de pele do estado. Durante o procedimento feito pelo coordenador da Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), Dr. Bruno Cintra, 1050 centímetros quadrados de pele foram transplantados para um jovem de 32 anos.

O transplante só pode ser feito graças a uma autorização especial dada pelo Ministério da Saúde e a pele fornecida pelo Banco de Pele de São Paulo. “Diante da gravidade do nosso paciente, nós solicitamos a autorização provisória junto ao Ministério da Saúde para realizar esse transplante. Ele teve 40 por cento do corpo queimado com queimaduras de terceiro grau. Provavelmente, sem o transplante, ele viria a óbito”, comenta Fernandez.

PREVENÇÃO
Infelizmente, a maioria da nossa população não tem o hábito de ir ao médico para fazer um check-up anual até mesmo para identificar possíveis doenças no estágio inicial e, além disso, a automedicação ainda é comum, mesmo com as várias campanhas informativas sobre os seus perigos. Esses hábitos, segundo Benito Fernandez, e hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, poderiam evitar que muitas pessoas sofram com a insuficiência renal, por exemplo, e em estado avançado precisando de um transplante de rim.

“Nós precisamos ter muito cuidado com os medicamentos que tomamos sem prescrição médica. O uso de anti-inflamatórios por exemplo pode levar, junto com outros fatores, a perda da função renal”, alerta.

UM ATO DE SOLIDARIEDADE
“Nós precisamos entender que qualquer pessoa pode precisar de um órgão. E doar o órgão de um ente querido, mesmo no momento de dor pela perda, é um ato de solidariedade e amor, mas também de cidadania. É você dar uma nova oportunidade de vida para quem está na fila do transplante”, finaliza Benito.

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