Sergipe não tem soro antirrábico e pacientes correm riscos


Veterinário alerta para importância do medicamento e faz recomendações

A jornalista Cibele Lemos foi mordida por um cachorro e logo procurou um médico em um hospital particular. Foi orientada a ir ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) para tomar o soro antirrábico. Chegando ao hospital ela foi informada que o soro está em falta e não há previsão para chegar. O soro não vende em farmácia e só é aplicado no Huse.

Cibele está preocupada porque o soro é imprescindível em um caso como o dela. “Estava indo trabalhar e no meio do caminho fui atacada por um cachorro na rua. Fui em busca de cuidados para não contrair a raiva e fiquei desesperada quando soube que não tinha o soro aqui. O soro é disponibilizado pelo Ministério da Saúde e não pode faltar”, lamenta.

Riscos
As partes do corpo mais vulneráveis para contrair a raiva são as mãos, cabeça e pés. No caso de alguma mordida de animais que possam contrair a doença é necessário que a vítima se dirija ao Huse para tomar o soro antirrábico. Mas a Coordenadoria do Pronto-Socorro do hospital confirma que a medicação está em falta.

“Não temos o soro antirrábico mas hoje temos imunoglobulina humana que é feita através do plasma. A diferença para o soro é que um é feito do animal e o outro do plasma sanguíneo humano mas as duas têm o mesmo efeito”, garante o médico Vinícius Vilela Dias que é o coordenador do Pronto-Socorro do Huse.

O veterinário Tiago Guerreiro alerta para os cuidados que devem ser tomados após alguém sofrer uma mordida de um cachorro. “É necessário lavar bem o local com água e sabão, em seguida, a depender do tamanho da mordida é recomendável estancar o sangramento e procurar um posto de saúde”, orienta.

Questionado sobre a importância do soro antirrábico, o veterinário alerta. “Quando alguém é mordido e vai ao posto geralmente eles dão a vacina antirrábica, mas a vacina não tem o antivírus, ela ainda vai fazer com que o organismo produza o anticorpo para combater o vírus que pode ter sido transmitido através da mordida do animal, mas demora em média 14 dias. O soro já é o antivírus que age no mesmo momento e faz efeito, combatendo o vírus que pode ter sido transmitido. Ficar sem o soro é muito complicado”, garante.

Soro antirrábico
O soro antirrábico pode ser heterólogo (origem animal), denominado ERIG (Equine Rabies Immuno Globulin) ou SAR (Soro antirrábico) ou homólogo que é a imunoglobulina antirrábica humana, denominado HRIG (Human Rabies Immuno Globulin).
Deve ser utilizado isoladamente, ele complementa a profilaxia da raiva humana em pós-exposição, pois já é um concentrado de anticorpos antirrábicos produzidos em outro organismo.

Os anticorpos antirrábicos produzidos noutro organismo devem ser administrados, se necessários, além da vacina contra a raiva (nunca em sua substituição), em casos de grande risco de o vírus rábico atingir o SNC de maneira mais rápida, pela localização e extensão dos ferimentos.

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