“O Brasil não é um país assísmico”


Um tremor de terra foi sentido em Gararu em novembro do ano passado (Foto: Arquivo CINFORM/Gil Fonseca)

Especialista explica porque a terra treme no Nordeste Brasileiro

Durante muito tempo, acreditou-se que no Brasil não existiam terremotos ou tremores de terra, principalmente, por que estamos no meio da placa tectônica Sul-Americana. Porém, abalos sísmicos ocorrem quase todos os dias no Brasil, mas com baixa magnitude e intensidade. Na madrugada do último dia 6 de julho, por exemplo, foram registrados 43 tremores de terra na cidade de João Câmara, no agreste do Rio Grande do Norte, que por causa do seu histórico, já ficou conhecida como “Terra dos abalos”.

Segundo Aracy Sousa Senra, professora do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), esses tremores registrados no Brasil são considerados comuns e não são um motivo de preocupação.

“O Brasil não é um país assísmico como muitos pensam. Sismos ocorrem no Brasil e na região nordeste quase todos os dias, mas não é motivo de preocupação, pois os sismos que ocorrem aqui geralmente são de baixa magnitude e intensidade”, comenta.

Segundo a Aracy, os tremores acontecem quando há uma liberação de energia concentrada. “Não se tem uma causa única para essa liberação, mas, em geral, está associada à acomodação das rochas ou, em algumas situações específicas, a reativação de estruturas geológicas (falhas)”, explica.

TREMORES EM SERGIPE

Aracy Senra é professora da Universidade Federal de Sergipe

No último dia 10, a população da cidade de Malhador, distante 49 quilômetros da capital, ficou assustada com um tremor de terra. Segundo a Rede Sismográfica Brasileira, o tremor foi de magnitude 2.1 na escala regional. Em novembro do ano passado, um outro tremor de terra foi sentido nas cidades de Itabi, Gararu e Nossa Senhora de Lourdes, mas a magnitude não foi divulgada.

Segundo o Padre Cleverson Lima, nem todas as pessoas sentiram o tremor que aconteceu em Malhador no início do mês. “Eu não estava na cidade quando houve este tremor, mas pelo que percebi, a reação foi parecida com a que houve em 2016. A magnitude do tremor foi muito baixa, nem todos sentiram, não houve um susto coletivo”, comenta.

Para Aracy Senra, o número de tremores registrados em Sergipe é muito pequeno quando comparado com outros estados nordestinos, uma vez que o contexto geológico-geotectônico é considerado estável.

“Na pesquisa que desenvolvo na UFS sobre os sismos em Sergipe, elaboramos o histórico da sismicidade no Estado. Os primeiros relatos são de 1919 com um sismo em Aracaju e, ao todo estão registrados 23 tremores no estado neste intervalo de tempo. Os tremores registrados apresentam magnitude baixa, em média 2.5, que em geral não causam danos materiais, mas sim pânico e temor na população”, comenta.

Segundo Aracy, o tremor de terra de maior magnitude registrado para Sergipe aconteceu em 1972, a cerca de 300 quilômetros de distância do nosso litoral. Apesar do tremor ter sido de magnitude 3.9 na Escala Richter, que vai de 1 a 9, não houveram danos materiais no continente.

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