Sergipe muito além do forró


(Fotos: Divulgação/Hugo Teles)

Betrayed the Face lança CD e mostra que é possível
fazer metal de qualidade no Estado

 

Apesar de ser conhecido como “o País do Forró”, Sergipe tem produzido boas bandas de rock e metal, e a Betrayed the Face é um bom exemplo disso. Depois de um longo processo de produção e gravação, a banda de deathcore começa a disponibilizar as músicas do seu primeiro álbum “Reflexions of Decay” em plataformas digitais de streaming.

“Nós ainda vamos lançar o restante das músicas nas plataformas online, mas quem teve acesso ao material físico completo elogiou bastante a qualidade da gravação, finalização e as composições no geral e a arte”, comemora Adriano Santana.

Algumas faixas do primeiro álbum já tinham sido gravadas pela banda em um EP lançado em 2013 e agora foram regravadas. “Na época do EP não tínhamos a mesma experiência que temos hoje e muito menos as mesmas influências musicais, mesmo que já abrangentes naquela época, não eram as mesmas. Regravamos essas mesmas três músicas no álbum e, alteramos pequenas coisinhas nelas”, comenta Renan Cardoso.

BETRAYED THE FACE

Em 2009, quando ainda existia o finado Coverama, um grupo de jovens decidiu se reunir para participar do festival de bandas cover tocando músicas da banda punk The Ramones. No entanto, o desejo de fazer músicas autorais era grande e assim, Renan (vocal), Adriano (bateria), Jean, Artur (guitarras) e Rodrigo (baixo) fundaram a Betrayed The Face em 2011.

Canijan foi responsável pela arte do álbum

“Nós éramos uma banda cover do Ramones, mas não era a mesma formação. Nós ensaiamos por dois ou três anos, mais ou menos, mas na verdade queríamos mesmo fazer um som autoral. Foi aí que o Jean assumiu as guitarras e convidamos o Rodrigo e o Artur para entrarem na banda”, lembra Renan.

Apesar da banda ter começado com uma clara influência de bandas de deathcore, com suas guitarras pesadas e vocais agressivos, aos poucos cada integrante da banda foi incorporando suas influências e gostos musicais a sonoridade da banda.

“Inicialmente, as músicas tinham uma vertente mais deathcore, com influências claras e diretas dessas bandas, mas acho que hoje em dia, as coisas estão caminhando para novos horizontes. As letras, por exemplo, sofreram poucas influências desse estilo em si. Sempre fui muito mais ligado ao doom metal e sons mais experimentais. Mas sempre estou sujeito a colocar parte de estrofes de algumas baladinhas pop às vezes. Já fiz referências líricas a [David] Bowie e Madonna, por exemplo”, comenta.

MUDANÇAS

Por motivos pessoais, o guitarrista Artur decidiu deixar a banda antes que todas as músicas do álbum “Reflexions of Decay” e para o lugar dele foi escolhido Rafael “Bidows”, que já havia feito algumas participações especiais nos shows da Betrayed.

“Artur decidiu deixar a banda por questões pessoais, o que para mim foi uma perda muito significativa. A formação sempre foi a mesma desde o início e a saída dele nos balançou. Eu pensei em Bidows para substituí-lo porque é a banda toda já o conhece e ele tem experiência no estilo que a gente toca. Além disso, o fato dele já conhecer as músicas e curtir o nosso som facilitou bastante o processo da substituição”, comenta Adriano.

CENA LOCAL

Além da musicalidade da Betrayed the Face ser bem diferente do que era feito por aqui, o visual da banda também foge do rótulo de “metaleiros”. Com roupas “comuns”, um vocal gutural e uma musicalidade bem forte, a banda acaba surpreendendo uma parte do público, sobretudo aqueles que não conhecem a banda.

“Quase sempre tem alguém novo na plateia que curte nosso som e vem falar com a gente dizendo que não esperava todo o peso sonoro, não esperava que minha voz seria tão gutural. Essa segunda parte eu já associo a imagem que a sociedade tem do homem viril, mas isso já é outro parêntese a ser aberto”, comenta Renan.

“O público mais antigo é bastante fechado ao estilo, mas por mera ignorância. A gente percebe que muitos nem se permitem escutar, ver um show e avaliar para julgar. Infelizmente existe a panelinha que não acrescenta em absolutamente nada e ainda segrega a cena”, acrescenta Adriano.

Apesar dos inúmeros avanços na sociedade em geral com relação a homofobia, a cena rock e metal parece não ter avançado na mesma proporção. Renan, que é gay, conta que algumas pessoas já o xingaram durante o show pelo fato de ele ser gay. Mas na contramão dessas manifestações homofóbicas, pessoas que fazem parte de movimentos LGBTQ+ consideram Renan um exemplo de representatividade, em um meio ainda tão machista.

“Eu sempre fico muito feliz em ouvir que essas pessoas se importam e se acham representados por mim. Se bem que, quem sou eu para representar alguém, mas é importante fomentar a cena de maneiras diversificadas”, comenta o vocalista.

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