Festa junina abre programação dos 50 anos da Apae Aracaju


Instituição faz trabalho em prol da inclusão de pessoas com deficiências física e intelectual

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Aracaju comemora 50 anos no dia 27 de agosto mas o clima na instituição já é de festa. A programação festiva foi aberta com no fim de semana com o ‘Arraiá do APAExonados’ como forma de levar alegria, cultura e integração para os assistidos, familiares e parceiros da instituição, com direito a comidas típicas, música ao vivo com Hiago Santos, apresentações teatrais, além da quadrilha junina ‘Xodó da APAE’, que deu um show à parte.

“A Apae é uma instituição séria que trabalha na visão de executar um serviço de qualidade que é ofertado para a população totalmente de forma gratuita. O Trabalho do terceiro setor não é fácil mas persistimos, a filantropia também passa por essa crise com a queda das doações e é muito preocupante. Algumas instituições não estão conseguindo sobreviver e estão fechando as portas. As pessoas com deficiência nos dão o combustível para seguir e buscar fazer o melhor porque elas precisam de nós. Mas temos motivos para comemorar, estamos chegando aos 50 anos de trabalho e isso é muito gratificante para nós”. Orgulha-se o presidente licenciado da instituição Max Guimarães.

Um dos grandes saltos da APAE Aracaju ao longo da história começou há cerca de um ano, quando passou a atuar como Centro Especializado em Reabilitação para pessoas com deficiências física e intelectual (CER II), a partir de convênio firmado com o Ministério da Saúde, pactuado entre Estado e o município de Aracaju, gestor do contrato. Com isso, a ONG passou a receber por serviços da área de saúde que sempre executou gratuitamente e nunca recebeu por eles.

Trabalho social
De acordo com o que foi pactuado entre Estado e Prefeitura de Aracaju, a APAE atende assistidos de 67 municípios sergipanos, hoje fazendo uma média de 700 atendimentos por mês. O CER II da Secretaria Municipal de Saúde, localizado no bairro Siqueira Campos, e o Centro de Integração Raio de Sol (CIRAS), no Bairro Santa Maria, recebe toda a demanda de Aracaju e de mais 7 municípios: Barra dos Coqueiros, São Cristóvão, Itaporanga D’ajuda, Laranjeiras, Riachuelo, Santa Rosa de Lima, Divina Pastora.

“Apesar do convênio firmado, desde o início não tem sido fácil. Primeiro, veio a demora na contratualização junto a Secretaria Municipal de Saúde, depois, mais dificuldades para receber devido a contratempos na prestação de contas. O fato é que, por causa de ter que se reestruturar para atender as exigências do Ministério da Saúde, ampliando salas, quadro de funcionários e adquirindo equipamentos, a reserva que a APAE tinha foi usada para investimento e os repasses dos recursos não foram feitos na mesma velocidade, como ainda permanecem, o que resulta em salários atrasados dos funcionários e o risco de comprometer o atendimento”, explica Max Guimarães.

Campanhas são realizadas constantemente para arrecadar recursos e pedindo a colaboração da população para o trabalho continuar. “A dificuldade parece ser a palavra que acompanha entidades sérias do terceiro setor. Estão sempre promovendo campanhas, pedindo ajuda e, na maioria das vezes, trabalhando no vermelho. Todo este esforço, só para fazer o bem e com a APAE não foi diferente ao longo destes 50 anos. Em um dos momentos mais críticos, já ameaçada de fechar, a entidade chegou a atrasar 7 meses de salários, chegando a sofrer uma intervenção”, explica Max.

Serviços
Max Guimarães se licenciou da presidência e dona Gilda assumiu o comando durante este período e os trabalhos continuam a todo vapor. “Para se manter a Apae Aracaju depende muito da ajuda de pessoas de boa fé e, como muito esforço, os resultados chegam graças ao trabalho desenvolvido pela equipe de telemarketing, hoje, formada por 5 atendentes e mais um motoboy. Fora isso, uma boa ajuda vem através de empresas e a solidariedade da população”.

A instituição conta com 3 psicólogos, 3 terapeutas ocupacionais, um neuropediatra, um ortopedista, 4 fisioterapeutas, 2 fonoaudiólogas, 3 assistentes sociais, além de 8 profissionais que atuam nas oficinas terapêuticas, entre pedagogos e psicopedagogos.
“Entre os ações de destaque, além das atividades regulares com o Atendimento Educacional Especializado (AEE), oficinas terapêuticas e teatrais, aulas de futsal e capoeira, a APAE firmou parcerias com o Corpo de Bombeiros, através do projeto “cão amigo”, em que os assistidos desenvolvem a psicomotricidade num contato direto com cães labradores; com a UFS, no projeto “UFS rural”, desenvolvendo atividades agrícolas na entidade e no campo; o Karatê adaptado, estimulando mais uma atividade esportiva, superando os próprios limites dos assistidos e promovendo o esporte paraolímpico. A próxima etapa e que já está bem encaminhada é a reativação da equoterapia no Parque da Cidade”, adianta a presidente em exercício.

Para ajudar a divulgar as ações e promover a troca de experiências entre o setor, há cerca de dois anos, a APAE Aracaju firmou uma parceria com a Aperipê TV que exibe em sua grade, todos os sábados às 8h e nas segundas-feiras, às 9h, o programa Inclusão & Saúde, que é gravado no estúdio da emissora e todo produzido pela equipe de comunicação da APAE.

A APAE fica Rua Manoel dos Santos Carvalho, 379, esquina com Curitiba, no bairro Industrial, próximo ao Campo do Confiança, onde os interessados podem obter mais informações ou ainda ligar para o (79) 3215-5959 ou 3205-4600.

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