“Com quem vou deixar o meu filho?”


Número de vagas oferecidas nas creches da
Grande Aracaju não é suficiente

 

Ao longo das últimas décadas as mulheres lutaram e conseguiram mais espaço no mercado de trabalho e hoje trabalham em funções antes nunca imaginadas para pessoas do sexo feminino. No entanto muitas mães, trabalhadoras ou não, têm muita dificuldade para deixar seus filhos nas escolas municipais de ensino infantil (EMEI). Isso porque, apesar de ser uma obrigação do poder público oferecer educação às crianças, o número de vagas oferecidas é inferior ao número de crianças que deveriam ficar lá.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2012 a população sergipana com idade de creche (de zero a três anos) chegava a 138.757 crianças. Naquele mesmo ano, o estado apresentava a quarta pior taxa de cobertura em creches de todo o país. Apenas 8,99% das crianças sergipanas de zero a três anos estavam matriculadas nas creches, segundo dados do relatório “Desafios na Infância e na Adolescência no Brasil: Análise Situacional nos 26 Estados Brasileiros e no Distrito Federal”, produzido pela Abrinq.

Para se ter uma ideia, na capital e nos municípios de Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros existem apenas 38 escolas de ensino infantil atendendo apenas 3.506 crianças de 0 a 5 anos de idade.

CRECHES EM ARACAJU

Cidade com o maior número de creches na Grande Aracaju, a capital possui 30 EMEI, 22 delas em tempo integral e outras oito em tempo parcial, onde a criança fica na creche no turno da manhã ou da tarde. Porém, apenas 2.300 crianças são atendidas por elas. Esse número é menor do que o registrado em 2012, quando a capital sergipana apresentou a quinta pior posição dentre as capitais no que diz respeito à taxa de cobertura em creches. Em 2012, 8,25% das crianças de Aracaju entre zero e três anos frequentavam essa etapa de ensino.

A falta de vagas nas creches públicas faz com que muitas mães sejam obrigadas a deixarem os seus empregos ou deixem suas crianças com parentes ou vizinhos em troca de uma parte do pouco que ganham, como foi o caso de Márcia Baldon. Sem conseguir vaga para as suas filhas de três e nove anos, Márcia pagava uma mulher para cuidar delas enquanto trabalhava.

“Para eu poder trabalhar, eu tinha que pagar uma moça para ficar com a minha filha. O dinheiro que eu recebia já era pouco e ainda tinha que tirar uma parte para poder pagar a moça que ficava com a minha filha. Até que a moça viajou e eu precisei largar o meu emprego porque não consegui achar ninguém de confiança para ficar com a minha filha”, lembra.

Foi então que ela optou por deixar o bairro Santa Maria, onde morava em Aracaju, e mudar-se com sua família para a cidade de Santa Rosa de Lima. Lá, ela conseguiu vagas tanto na creche em tempo integral quanto na escola para sua filha mais velha. Quando ainda morava no Santa Maria, Márcia teve que pagar uma escola particular para sua filha porque não conseguiu vaga na rede pública.

Em Socorro, as escolas de ensino fundamental foram autorizadas a ofertar matrículas para a educação infantil

A equipe do CINFORM procurou a Prefeitura de Aracaju para saber se há alguma previsão de quando a oferta de vagas na educação infantil será compatível com o número de crianças que necessitam do serviço. Por meio de nota, a assessoria de comunicação  informou que “o Plano Municipal de Educação de Aracaju, em consonância com o Plano Nacional de Educação, tem como uma das suas metas ampliar a oferta da educação infantil nas suas creches de forma a atender, no mínimo, 50% das crianças até três anos até o final da vigência do Plano, que será em 2025”.

CRECHES EM N. S. DO SOCORRO

A cidade de Nossa Senhora do Socorro que possui uma população total estimada em 181.928 pessoas, segundo o IBGE, possui apenas três creches com vagas para 556 crianças em tempo integral ou parcial. E para aumentar o número de vagas disponíveis para crianças de zero a cinco anos, o prefeito da cidade, Padre Inaldo (PC do B), autorizou que as escolas de ensino fundamental abrissem vagas para a educação infantil também.

“As escolas de fundamental têm autorização para a oferta de educação infantil para que não haja desassistência. Dessa forma, ao todo, em 2018, Nossa Senhora do Socorro está atendendo 3.007 crianças em idade de creche (zero a três anos) ”, explica a Prefeitura.

A solução é paliativa, mas, ao mesmo tempo, a prefeitura do município autorizou o início da construção de mais três creches. Serão mais de R$ 4 milhões investidos para construção de creches nos bairros nos conjuntos João Alves e Marcos Freire II e III, totalizando mais 360 vagas na rede. Além do término de uma creche no conjunto Fernando Collor, que já está com 80% da obra concluída e deve ser entregue em agosto deste ano.

CRECHES NA BARRA DOS COQUEIROS

A cidade da Barra dos Coqueiros tem a menor população entre as cidades da Grande Aracaju, são pouco menos de 30 mil habitantes. Apesar de possuir apenas duas creches, onde quase 500 crianças estão matriculadas, o município é o que oferece o maior número de vagas em creches em relação ao número de habitantes do município.

Na Barra dos Coqueiros é oferecida uma vaga em creche a cada 59 habitantes, número muito próximo ao de Nossa Senhora do Socorro que, ao oferecer vagas para as crianças de zero a cinco anos, também nas escolas de ensino fundamental, oferece uma vaga a cada 60 habitantes do município.

Segundo especialista, a interação entre as crianças ajuda no desenvolvimento

Procurado pela equipe do CINFORM, o prefeito da cidade, Airton Martins (MDB), afirmou que uma nova creche deve ser inaugurada nos próximos meses, aumentando o número de crianças atendidas pela rede municipal para quase 700.

CRECHES EM SÃO CRISTÓVÃO

Conhecida pelo histórico nebuloso de governantes e de pouco investimento em áreas básicas, como a educação, a cidade de São Cristóvão possui apenas duas creches onde 150 crianças são atendidas.

Um número que a própria gestão atual considera como insuficiente para a demanda do município. “Ainda não é o suficiente e a gestão do prefeito Marcos Santana (MDB) pretende ampliar esse número. No momento, as creches estão passando por adaptações e recebendo maquinário para atenderem melhor as crianças”, afirma em nota.

IMPORTÂNCIA DAS CRECHES

Além de ser um direito assegurado a todas as crianças até os seis anos de idade, as creches colaboram para o desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social da criança. Segundo a psicopedagoga Larissa Cerqueira, através da interação com as outras crianças e das brincadeiras, elas conseguem desenvolver a linguagem e a sua personalidade.

“A instituição contribui não só no desenvolvimento da personalidade como o da linguagem e da inclusão social utilizando atividades variadas tais como: contar estórias, brincadeiras, atividades de desenho e pintura, músicas e também cuidados com o corpo. A creche é como um complemento da família que é o primeiro grupo social em que a criança faz parte”, comenta.

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