Os donos da rua


Que atire a primeira pedra quem nunca pagou de 10 centavos a até vinte reais a uma flanelinha que estava “vigiando” seu carro quando estacionou em alguma rua de Aracaju. Se identificou ou lembrou de alguém contando uma história parecida? O comércio de vagas na rua já se tornou comum na cidade.

Jamisson Souza trabalha com eventos de formatura e semanalmente está em locais da cidade onde acontecem as solenidades, um dos pontos estratégicos para os guardadores de carro. Jamisson conta que quem está diariamente nesses locais é obrigado a pagar algum valor por dia de formatura, que varia de três a quatro dias, com medo da reação dos guardadores.

“Teve um dia que sai de uma formatura na Igreja Jesus Ressuscitado (Jardins) e eles disseram que era obrigação minha ter pelo menos no mínimo dois reais para pagar ele, eu achei um absurdo. E dependendo do ponto, se eu retornar novamente porque eu não dei ele pode até querer riscar o carro. Na nossa cidade, onde a gente chega, por mais que a gente não veja, sempre tem um “flanelinha” na saída”, comenta.

A intimidação é maior com as mulheres

A professora de Educação Física, Ana Luisa, passou recentemente por uma situação em que precisou não se intimidar com um guardador de carro que a rondou, esperando o pagamento de uma gorjeta. Ana conta que ao voltar de uma de suas aulas em uma academia na Atalaia,o “flanelinha” a acompanhou desde o momento que atravessou a rua, ao entrar no carro a professora ainda percebeu que ele mexeu no retrovisor para dificultar a baliza.

“Ele colocou o retrovisor para cima na intenção que eu abaixasse o vidro para ele poder abordar, para o azar dele eu sou alta, então consegui sair, mas ele então se colocou na frente do carro. O que ele queria? O dinheiro! E eu não ia pagar porque ele não é o dono da rua e eu não tenho obrigação de pagar a “flanelinha” em canto nenhum. Eles gostam de intimidar, principalmente quando é mulher”, conta.

Ana Luísa ainda destaca que a situação é espalhada na cidade inteira em todos os horários. “Eu acho isso um abuso, em todo lugar que você vai eles se acham os donos do pedaço, você vai para o Emes, se tem um evento eles fecham as ruas com os cordões e você tem que pagar, no centro você tem que pagar. Toda hora tem um “flanelinha”, se for assim o dinheiro da gente vai embora só com “flanelinha””.

SMTT

O que muitos aracajuanos não sabem é que a SMTT combate esse tipo de situação, segundo o diretor de Trânsito da SMTT, Thiago Alcântara. “A SMTT combate a obstrução de vagas de estacionamento públicas, seja com cavaletes, cones, pneus ou qualquer outro objeto. Os objetos são apreendidos para que o espaço fique livre para o estacionamento de qualquer pessoa. Os cidadãos podem colaborar com esse trabalho de fiscalização denunciando através do número 118”, comenta.

Thiago afirma que sehouver algum tipo de inibição ou obrigatoriedade de pagamento, o cidadão deve acionar a polícia, pois isso já não é um caso de mobilidade, mas, sim, de segurança pública.

PM

O Tenente-Coronel Vivaldy Cabral destaca que os guardadores de carro são um problema sério em Aracaju. Como não há uma legislação especifica na cidade de Aracaju para a regulamentação deles, o Policia Militar fica comprometido.

“Esse tipo de situação é praticamente um fato atípico, porque você não tem como configurar um delito especifico para o caso de uma ameaça subliminar, que é como normalmente eles fazem. Os casos em que efetivamente houve um dano, quando eles arranham o veículo, quando eles ameaçam efetivamente o proprietário do veículo”, explica.

O Tenente-Coronel ainda destaca que a Policia Militar recomenda que os motoristas não deem a gorjeta aos guardadores de carro. “Se todo mundo parar de dar a gorjeta eles vão mudar a atividade e a situação acaba”, destaca.

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