Conexão Venezuela: TAC entrevista refugiada


Restaurante El Girassol, em Maracaibo: frutos do mar e silêncio.

Um bate-papo rápido sobre o que uma refugiada venezuelana gosta de comer no Brasil, e a dolorosa realidade de seu país.

Cumim. Sabe o que é? Cumim é a nomenclatura dada ao auxiliar do garçom em bares e restaurantes. Lorennys Perez é cumim em nossa vizinha Maceió. Com 21 anos, a refugiada do regime Maduro conseguiu a vaga no Restaurante Hibiscus, onde conversamos.

De sua cidade natal, Maracaibo, na Venezuela, de onde saiu em setembro de 2016, deixando pra trás uma casa com 5 quartos, todos com ar-condicionado, dois carros na garagem, após o regime Maduro, a família experimentou o caos venezuelano. ‘No tempo do Chavez não faltava comida e o páis era organizado’.

Até chegar em Maceió, ela enfrentou cinco dias de ônibus até Boa Vista, em Roraima. De onde pegou um vôo pra Brasília, lá chegando lhe negaram vender comida por sua condição desgastada da longa viagem. O sofrimento continuava.

TAC: Qual sua condição no Brasil, Lorrenys?
LP: Hoje eu tenho visto temporário de residência e pretendo ficar no Brasil por um bom tempo, ou para sempre.

TAC: Como é o mercado gastronômico no seu país? Existem fast-foods, bons restaurantes?
LP: Temos bons restaurantes comidas italianas, árabes, gastronomia mundial. Mas ficam vazios pois o povo não tem dinheiro para frequentar.

Cachapas
Arepas

TAC: O que as pessoas mais gostam de comer? Qual o prato feito do venezuela hoje?
LP: Arepas, empanadas, pabellon criollo que é um prato com arroz, feijão, carne desfiada, ovo e banana frita. Tem a cachapa, um tipo uma panqueca grossa de milho, recheada com carne assada a lenha e queijo de mão, que é um queijo mole, que quando morde escorre leite.

TAC: Qual era a sua realidade alimentar na Venezuela?
LP: A realidade é que a pessoa consegue comer o que planta no quintal, poucas pessoas conseguem ir ao supermercado comprar comida ou itens de higiene.

TAC: E a ingestão de proteína…?
LP: Em casa tínhamos uma galinha, essa galinha colocava um ovo por dia, tínhamos que esperar quatro dias para termos quatro ovos, na sexta-feira comíamos um ovo por semana. Essa era a proteína da semana. É a realidade das familias hoje em dia na Venezuela. Quem mora em apartamento não tem como plantar e fica mais complicado. Existe um mercado negro para venda de alimentos, os militares tem controle da comida do país. Quem não tem dinheiro procura nas árvores, mangas, goiabas… e nas latas de lixo.

Ela voltou a sorrir

TAC: Inimaginável
LP: Tenho primos com 15 anos que pesam 32 quilos.

TAC: Qual a comida que mais te agradou em sua chegada ao Brasil?
LP: A comida que mais agradou no Brasil foi o churrasco. Medalhões de bacon e frango (suspirou nesse momento), feijoada… nossa.

TAC: Vc tem esperança que seu país volte a ser um bom lugar para viver?
LP: Venezuela é bom lugar para viver, porém na situação de hoje não é mais. Hoje saem mais de 500 pessoas por dia de lá.

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