Vera Lúcia vai ser a primeira mulher de Sergipe a disputar à Presidência


“Estou pronta para enfrentar o maior desafio que me foi dado”

Vera Lúcia foi indicada pelos seus companheiros do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) para ser a candidata à presidência do Brasil. A chapa vai ter como candidato à vice-presidente o músico Hertz Dias que desenvolve um trabalho social no Maranhão. A candidatura vai ser oficializada em abril durante a convenção nacional do partido. É a primeira vez que uma mulher representante de Sergipe vai se candidatar à presidência.

“Vou abraçar este desafio que vai ser uma tarefa bem maior do que as que peguei até agora mas não farei isso sozinha e quero encarar da melhor forma possível. Quero atender as expectativas dos militantes do PSTU e de todos que acompanham o nosso partido. Foi uma decisão da direção do partido e vou fazer da melhor forma possível. O grupo é unido e vou contar com o Hertz Dias também. Ele é professor, músico e ativista do Movimento Negro. Estou muito feliz com este desafio”, orgulha-se.

Vera disse que o anúncio da sua pré-candidatura foi uma surpresa para Sergipe. “Foi uma grata surpresa para o estado e vou representar Sergipe e o Nordeste muito bem. Vamos lutar e apresentar um programa de governo socialista capaz de atender as necessidades dos trabalhadores. Vai ser muito desafiador mas necessário. É um programa diferente de todos que são apresentados. Vamos apoiar o trabalhador, o negro, os indígenas, a comunidade LGBT, a mulher, o pobre e todas as minorias. Vamos lutar contra qualquer tipo de preconceito, discriminação e exploração”.

Programa de governo
A militante do PSTU disse que seu nome foi escolhido após um debate realizado pelo partido que fez uma avaliação do cenário político, econômico e social.

“O partido avaliou que eu seria um bom nome para representar o grupo e o nosso programa para concorrer às eleições. Vamos apresentar uma saída para a classe trabalhadora e para o povo mais pobre deste país com um programa que corresponde as necessidades reais do brasileiro. Nossa campanha vai ser financiada por nós mesmos, pelos trabalhadores e não por grandes empresas que apoiam os maiores partidos que consequentemente estarão envolvidos em falcatruas. Mas nós não nos intimidamos com isso e vamos continuar a nossa batalha. Vamos enfrentar os ricos de forma organizada incentivando os trabalhadores a lutar e romper com a sociedade capitalista, vamos enfrentar a burguesia”, garante.

Após a convenção nacional, Vera Lúca planeja percorrer os estados ao lado de Hertz Dias apresentando o plano de governo do PSTU. “Vamos lançar candidaturas próprias em todos os estados e estaremos visitando cada região para conhecer as necessidades e discutir em conjunto com os companheiros da classe trabalhadora que luta por emprego e moradia. Vamos conversar com todos para apresentar o nosso programa. Vai ter também candidatura do PSTU em Sergipe, os nomes serão definidos durante a convenção mas temos militantes preparados para encarar o desafio e seguir o trabalho que realizei aqui ao longo dos anos durante todos esses anos”.
Vera critica o pouco espaço que o PSTU vai ter durante o Horário Eleitoral Gratuito. “A legislação eleitoral é pouco democrática e teremos apenas 3 segundos durante o horário eleitoral no rádio e na televisão mas vamos apostar nas redes sociais e palestras para chegar mais perto do povo”, adianta.

Ativista política
A trajetória de Vera Lúcia no PSTU começou com a sua fundação, quando o partido recebeu autorização para participar das eleições e ao longo do tempo se transformou em ativista e figura pública.

“Desde quando o PSTU teve possibilidade de participar das eleições eu fui candidata. Comecei em 1996 como candidata a vereadora de Aracaju. Ao longo desses 20 anos fui candidata a vice-prefeita de Aracaju, prefeita de Aracaju, vice-governadora, governadora e deputada federal. Mas comecei a ter visibilidade quando disputei a Prefeitura de Aracaju em 2004, quando Marcelo Déda venceu e foi reeleito. Naquela época eu já denunciava o PT como um partido que traía a classe trabalhadora”.

Vera comemora o fato de ter seu nome cogitado para o pleito de 2018, mas avalia tudo com cautela. “Sou lembrada nas pesquisas, talvez, porque sou uma mulher comum, trabalhadora, negra, de um partido pequeno, mas que politicamente é muito coerente com o seu programa e estratégia. Além disso, represento um partido que participa ativamente das lutas e não se apresenta apenas nas eleições. Sou lembrada porque vivo nas ruas, nas passeatas, ando nos bairros, participo das assembleias e uso o transporte público coletivo. Defendemos a construção de uma outra sociedade. Mas acredito que as eleições não resolvem os nossos problemas. As pessoas precisam lutar ativamente de forma organizada no seu local de trabalho, de estudo e no local que mora por melhores condições”, defende.

Marronzinho
Vera vai ser a segunda figura pública de Sergipe que vai se candidatar à presidência do país em 1989, José Alcides de Oliveira, mais conhecido como Marronzinho, natural de Maruim, foi candidato à presidência pelo PSP. Em 1982 foi candidato a vereador pelo PTB de Osasco-SP mas ficou conhecido na década de 80 por ter respondido a mais de 30 processos por calúnia e difamação, que impediram que ele concorresse a uma vaga de deputado federal em 1986, e se candidatou a prefeito de São Paulo, em 1988 e foi um dos 22 candidatos à Presidência da República no pleito de 1989.

O sergipano obteve 238.425 votos e ficou na 13ª colocação. No início da década de 1990, cumpriu pena por uma condenação de injúria e difamação, cometidos em 1985, contra o então candidato a prefeito Fernando Henrique Cardoso na eleição municipal de São Paulo.

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