Mais da metade dos vereadores de Aracaju pode se candidatar a deputado nas Eleições 2018


Apenas 1/3 dos parlamentares municipais descarta candidatura

As eleições estaduais se aproximam e podem provocar a renovação da Câmara Municipal de Aracaju. Dos 24 vereadores, apenas 8 descartaram a possibilidade de disputar algum cargo político no pleito deste ano. Alguns parlamentares fazem mistério e aguardam definições partidárias e outros já se colocam como pré-candidatos. Enquanto isso, os suplentes aguardam e o tema divide opiniões entre a população.

O vereador que decidir se candidatar a algum cargo não precisa se afastar das atividades na Câmara. “Ele pode pedir licença se quiser, mas pode optar por conciliar a campanha com o trabalho no parlamento municipal. É legítimo que o vereador queira pleitear um cargo mais alto e não há empecilhos para isso”, explica o professor Christian Lindemberg que é coordenador do Grupo de Ética de Filosofia Política da UFS.

No ponto de vista político, o professor defende que o parlamento (estadual e federal) precisa e há espaço para renovação. “O vereador pode ter ampliado seu projeto no curto trajeto e se colocar à disposição do povo para crescer e é bem-vindo. É importante mudar sim, tem políticos que se apegam a cargos mas isso não é o recomendado”, analisa o professor.
Christian explica que a cada vereador eleito para outro cargo abre vaga para um suplente e pode renovar a Câmara, mas alerta que eles seguem a mesma orientação partidária.

“Os vereadores são eleitos em coligações. Cada coligação une partidos que têm princípios em comum. Ou seja, se um vereador sai, entra outro da mesma coligação e vai seguir a mesma direção porque eles têm os mesmos objetivos. Existe uma afinidade entre eles. Mas para a mudança ocorrer deve ser aprovada pela população, que é quem tem a capacidade de avaliar. Até que ponto tal candidato contribuiu no cenário político e merece oportunidade maior?” questiona.

Pré-candidatos
O vereador Iran Barbosa (PT) faz parte do grupo político Articulação de Esquerda (AE), que é uma corrente política interna do partido e revelou que deve se candidatar a deputado estadual.

“O grupo definiu que irá apresentar ao nosso partido nomes para a disputa eleitoral deste ano e vai apresentar o nome do professor Dudu como pré-candidato ao Governo do Estado, o professor Joel Almeida como pré-candidato ao Senado, a professora Ângela Melo como pré-candidata a deputada federal e o meu nome como pré-candidato a deputado estadual”, adianta.

Isac Silveira (PC do B) também pretende disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. “Sou pré-candidato e entendo que o lugar de um político é onde o povo quiser. No Legislativo Municipal o vereador esbarra em limites institucionais que o mesmo é constrangido a buscar um espaço político de maior abrangência”, explica.

A vereadora Kitty Lima disse que possui um compromisso com o seu partido, mas ainda não decidiu se vai ser candidata a deputada estadual ou federal.

“O Rede Sustentabilidade precisa de pessoas que participem do processo eleitoral. Então, ao avaliar a necessidade do partido e a vontade dos meus eleitores, posso dizer que o melhor a se fazer é ouvir e atender a vontade do povo e não acredito que meus eleitores irão reclamar caso eu seja eleita deputada e não conclua meu mandato como vereadora. Ao colocar meu nome à disposição, a decisão foi tomada com o total apoio do meu eleitorado para que eu abraçasse esse desafio, uma vez que ele já conhece o meu trabalho na Câmara Municipal de Aracaju e quer agora que as iniciativas que têm dado bons resultados na capital cheguem aos demais municípios”, defende.

A dúvida de Kitty Lima é a mesma do líder da oposição na Câmara Municipal, o vereador Elber Batalha (PSB). “Pretendo ser candidato sim e meu partido decidirá se a deputado estadual ou federal. O momento é de renovação nos parlamentos. Acredito ser oportuno colocar meu nome à disposição do eleitorado. A forma do eleitor decidir se devo migrar para outro mandato ou não será a através do voto. O eleitorado tem que assumir seu papel de protagonista. Não adianta querer apenas que o MP e a Justiça resolvam tudo. O eleitor tem que assumir sua responsabilidade na hora do voto. Isso sim é a essência da democracia. Se o eleitor quer um novo Brasil está na hora de mudar a política com novos nomes”, alerta.

Mistério e expectativa
O vereador Lucas Aribé (PSB) disse que seu foco é o trabalho realizado no parlamento municipal, mas existe uma torcida pedindo que ele se candidate.

“Não descarto a possibilidade, pois há uma manifestação grande por parte de diversos segmentos da sociedade que desejam alguém na Assembleia Legislativa com o meu perfil político e a minha postura ética. Não creio que haveria qualquer tipo de questionamento por parte dos meus eleitores, pois já tenho um trabalho parlamentar consolidado, resultado de dois mandatos, e a minha candidatura a deputado é um clamor das pessoas que me confiaram o seu voto. Seria uma oportunidade de estender para todo o estado a minha luta por melhorias sociais, para que todos os cidadãos tenham seus direitos garantidos”.

Thiaguinho Batalha (PMB), Anderson de Tuca (PRTB), Emília Corrêa (Patriota) e Zezinho do Bugio (PTB) aguardam as decisões partidárias. “Ainda estamos avaliando a possibilidade. Mas se acontecer vamos trabalhar mais ainda por Aracaju e por Sergipe”, despista Thiaguinho.

“É uma decisão que só vamos poder tomar em abril quando serão definidos os candidatos a governador. Até o momento só está definida a pré-candidatura de Belivaldo Chagas (MBD) e tudo pode acontecer. Tenho desejo de ser candidato, mas prefiro aguardar o momento certo para me decidir”, disse Anderson de Tuca.

Emília Corrêa disse que está preparada para ser candidata a deputada. “Me sinto pronta mas ainda não tenho a resposta se colocarei meu nome à disposição para enfrentar um desafio como este. Vou aguardar a conjuntura política para observar as possibilidades e legenda do grupo”.

Suplentes
O ex-vereador por Aracaju Renílson Félix (DEM) está de olho na cadeira de Emília Corrêa, ele é o primeiro suplente da coligação que conta ainda com Manuel Marcos (PSDB), Vinícius Porto (DEM) e Juvêncio Oliveira (DEM).

“Aguardo com naturalidade, esperando que o povo escolha o melhor para Sergipe. Pela vontade do povo de Aracaju eu sou um dos seus representantes, pois sou o 14º mais votado no geral e não fui eleito por questões de legenda. Recebi 3.254 votos e hoje a Câmara Municipal tem 10 vereadores que receberam menos votos que eu. Estou na expectativa aguardando a vontade do povo e cheio de vontade de trabalhar e executar os meus projetos”.

A lista de suplentes conta ainda com Pastor Roberto Morais (SD), Anderson Gois (PRB), Adriano Taxista (PSDB), Valdir Santos (PT do B), Max Prejuízo (PSB), Bertulino Menezes (PSB), Sargento Vieira (PDT) e Daniela Fortes (PEN).

Foco na Câmara
Nitinho (PSD), Bigode do Santa Maria (PMDB), Fábio Meireles (PPS), Jason Neto (PDT), Seu Marcos (PHS), Juvêncio Oliveira (DEM), Palhaço Soneca (PPS) e Américo de Deus (Rede) descartaram a possibilidade de candidatura neste ano e garantem que estão focados nos trabalhos do Legislativo Municipal.

“Não sou candidato e nem vou me candidatar a mais nenhum cargo. Encerro no fim deste mandato e minha vida política em 2020”, garante Juvêncio Oliveira.

Soneca afirmou que tem muito serviço para desenvolver em sua comunidade e que a ‘dívida’ ainda é alta com o povo de Aracaju. “Fui eleito por 2.657 pessoas que acreditaram que eu podia realizar um trabalho sério, portanto, não posso abandoná-las com menos da metade do meu mandato. Preciso dar atenção a todas as regiões de Aracaju, porém os bairros Olaria, São Carlos e Maria do Carmo são alvos de ações mais intensas”, esclarece.

“Devo dar um passo de cada vez e cumprir com meu compromisso com os votos recebidos. Vou encerrar meu mandato de vereador à altura dos anseios da população”, disse Américo de Deus.

Opinião pública
O economista Cícero Pereira não concorda que o vereador se coloque à disposição do povo antes de acabar seu mandato. “Acho que ele tem que terminar o mandato para o qual foi candidato e eleito. Não gostaria que o vereador que votei se afaste e dê lugar ao suplente que eu nem conheço. Aqui no Brasil o suplente não necessariamente coaduna com as mesmas ideias do titular”.

Já o empresário Clevson Passos não enxerga qualquer impedimento na movimentação dos parlamentares municipais. “Não vejo problema de o vereador se candidatar a deputado no meio do mandato. Se ele teve competência e respeito para ser eleito vereador merece se candidatar sim e se colocar à disposição do povo”, disse Clevson.

Previous Geração dos “millennials” tem o maior número de pessoas gordas
Next UTILIDADE PÚBLICA: Transporte escolar põe crianças em risco