Falta de efetivo e sinalização põem banhistas em Aracaju em risco


(Foto: Vieira Neto)

Apenas 28 guarda-vidas são responsáveis por 22 quilômetros de praias

 

Apesar da redução no número de afogamentos, a falta de sinalização e de guarda-vidas continuam a pôr a vida de banhistas em risco nas praias da capital sergipana. Atualmente o 4º Grupamento Bombeiro Militar, responsável pela prevenção e salvamento de vítimas de afogamento nas praias de Aracaju, possui apenas 28 guarda-vidas para patrulhar os 22 quilômetros de praias da capital.

“Com o efetivo que temos hoje, nós procuramos fazer rondas e nos pontos que acreditamos ser de maior risco mantemos duplas de acordo com a necessidade. Nos dias úteis, nós trabalhamos com três duplas. Já nos finais de semana nós temos entre 10 e 12 militares”, explica o comandante do posto guarda-vidas, Capitão Messias.

Segundo o levantamento feito pelo 4º GBM com exclusividade para o CINFORM, das 35 ocorrências registradas nas praias de Aracaju entre o primeiro dia de janeiro e 22 de fevereiro (excluindo o período do carnaval), 23 foram por afogamento, sendo uma delas fatal.

Na tarde de domingo (18), a turista Eliana Francisca Pimentel, de 42 anos, se afogou na região conhecida como Boca da Barra, próxima ao Farol da Coroa do Meio. Segundo o Corpo de Bombeiros, aquela praia é considerada uma das mais perigosas do país e de risco permanente.

Apesar disso, quase uma semana depois do incidente pouca coisa mudou. A reportagem do CINFORM não encontrou nenhum guarda-vidas ou placas que pudessem alertar os banhistas sobre o perigo que correm ao tomar banho na praia próxima ao Farol da Coroa do Meio.

Algumas pessoas que trabalham na praia tentam alertar os banhistas, como o senhor José Santos, que tem um pequeno bar próximo ao farol. Ele se intitula o “conselheiro da praia” e na ausência dos bombeiros alertas os desavisados. “Mesmo eu dando conselho, alertando que é perigoso, muitas pessoas se arriscam e tomam banho aqui”.

A turista baiana Lane Silva reclama da ausência de informações e sinalizações na praia. Apesar de ter feitos algumas pesquisas antes de ir à praia com a família, ela não conseguia identificar onde era a área de risco. “Eu falei para o meu marido ter cuidado antes de entrar no mar, mas não vou entrar no mar. Aqui não tem nem salva-vidas”, exclama a turista.

Segundo o próprio Corpo de Bombeiros, em nenhum ponto da praia entre a Coroa do Meio e o Mosqueiro há bandeiras ou postes de sinalização. O motivo seria a atuação de vândalos que retiram ou danificam as placas e a ação da própria natureza.

ÁREAS DE RISCO

Além da praia da Coroa do Meio, que é de risco permanente, o comandante do posto guarda- vida, Capitão Messias, coloca também a praia da Atalaia (em frente aos Arcos da Orla) como área de risco.

A chamada Boca da Barra, o local onde o Rio Sergipe encontra o mar, oferece perigo aos banhistas o ano inteiro. “Duas situações que estão diretamente relacionadas: a correnteza e a profundidade. Ali próximo à margem nós temos uma grande profundidade e a correnteza que é forte sempre. Em determinadas épocas do ano, a maré muda a corrente e forma alguns ‘valões’ que aumentam o risco de afogamento”, explica o Capitão.

A praia da Atalaia fica próxima a um dos principais cartões postais da cidade, os Arcos da Orla, e de um dos terminais de integração da cidade, e isso a torna uma das mais movimentadas praias da capital. Para o Capitão Messias, o grande número de banhistas e os “valões”, que se formam em determinadas épocas do ano, fazem com que ela seja uma das áreas com mais ocorrências de afogamento em Aracaju.

CUIDADO NO MAR

O Capitão pede que a população verifique a sinalização de segurança e peça informações sobre o mar para aqueles que conhecem melhor a região, principalmente os guarda-vidas, sobre correnteza e profundidade.

Ainda segundo ele, o banhista não deve se aventurar no mar e evitar que a água ultrapasse a linha do seu umbigo. Já os que vão acompanhados de crianças, que evitem deixa-las sozinhas no mar ou a uma distância maior do que a do seu braço.

“Se você não tem condições de salvar, evite entrar no mar para tentar fazer esse salvamento, porque você pode se tornar uma vítima também. Ao presenciar uma ocorrência, entre em contato imediato com o Corpo de Bombeiros pelo 193”, acrescenta.

 

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