Apenas 80% da frota de ônibus coletivo de Aracaju possui acessibilidade


Decreto de 2004 determina que todos
os ônibus sejam adaptados para deficientes

 

Todos os dias os usuários do transporte coletivo de Aracaju e Região Metropolitana convivem com o lixo nos ônibus e terminais, com o medo de assaltos e com a confusão na hora do embarque nas linhas mais procuradas, sobretudo nos horários de pico. Mas vocês já pararam para pensar nas dificuldades que as pessoas com algum tipo de dificuldade para se locomover enfrentam todos os dias quando tentam utilizar o transporte público?

De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), Alberto Almeida, recentemente foram emitidos aproximadamente nove mil cartões Mais Aracaju Especial para acesso de portadores de deficiência aos ônibus.

O Decreto nº 5.296, de 2004, determina que “a frota de veículos de transporte coletivo rodoviário e a infraestrutura dos serviços deste transporte deverão estar totalmente acessíveis no prazo máximo de 10 anos”. Porém, 18 anos depois, dos 596 veículos que compõem a frota que atende as cidades de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros, apenas 80% possui elevedor.

“No que se refere à acessibilidade com elevadores adaptados são 80% da frota de ônibus, sendo 462 veículos no total. Mas no que tange a acessibilidade com piso tátil, sinalizadores com leitura braile e alças para suporte, toda a frota já vem equipada da fábrica com essas ferramentas básicas para atender pessoa com deficiência”, afirma Alberto Almeida.

O CINFORM conversou com algumas pessoas que possuem algum tipo de dificuldade de locomoção e a reclamação sobre os elevadores quebrados é uma constante. A ausência de cintos de segurança em alguns veículos e a falta de educação dos demais passageiros também foram citadas.

A universitária e cadeirante Elisângela dos Santos conta que já chegou a esperar por mais de 50 minutos um ônibus adaptado no Terminal Leonel Brizola (Rodoviária Nova), além de quase ter sido pisoteada por uma passageira enquanto subia em um ônibus. “Alguns ônibus circulam sem elevadores, os que possuem as vezes não funcionam. Além da falta de preparo de motoristas e cobradores que não lidam como deveriam com os deficientes cadeirantes e também a falta de educação da grande maioria das pessoas”, desabafa.

Já Luciene Ferreira reclama da falta de cinto de segurança em alguns veículos. “Hoje fui ao shopping e peguei o ônibus da linha Circular Indústria e Comércio 2. Ele não tinha o cinto de segurança, o que é essencial para nós porque qualquer freada pode ocasionar uma queda”, comenta.

“Muitas pessoas não entendem que os cadeirantes devem viajar virados para a frente e não saem do banco que fica no espaço onde o cadeirante tem que entrar. E, na maioria das vezes, somos obrigados a ir de lado, o que não é correto. Eu mesma já perdi duas cadeiras de rodas por ir de lado. Pois, quando o coletivo freia, a cadeira estando de lado fica danificada”, acrescenta Elisângela.

Segundo o presidente do Setransp, todos os ônibus passam por testes de segurança e funcionalidade. “As empresas dispõem de garagens de manutenção para revisão e reparos diariamente aos veículos. E, como se trata de um equipamento sensível às trepidações e lama que possam existir nas vias, quando algum ônibus apresenta um defeito pontual durante o trajeto, o serviço de manutenção das empresas é acionado de imediato”, explica.

No entanto, idosos, pessoas com deficiências motoras leves e até mesmo pessoas que por algum motivo estão temporariamente com dificuldade para se locomover também acabam sofrendo com o serviço oferecido atualmente.

Maria Isaura da Conceição, de 66 anos, possui próteses nos dois joelhos, o que dificulta sua subida no ônibus, já que tem dificuldade para dobrá-los. “Muitos motoristas não esperam a gente subir no ônibus e dão partida rápido demais. Então eu fico com medo e acabo não andando de ônibus. Mas se o degrau fosse mais baixo, já ajudaria”, comenta.

 

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