Abrigos de animais sofrem com falta de ajuda financeira


O abandono de animais na rua é um problema crônico que a sociedade vive. Para minimizar a situação, alguns abrigos em Aracaju acolhem os bichos e buscam um lar para eles através de adoção como, por exemplo, as ONGs Anjos de um Resgate e Adasfa.

Porém, as organizações sofrem com a falta de ajuda nos custos e vivem da ajuda de amantes dos animais. A falta de adoção, principalmente de animais adultos e que podem já ter alguma doença, é um dos maiores problemas dos abrigos, que ficam lotados.

Adasfa

A Adasfa é um abrigo em Aracaju localizado no Conjunto Marivan, lar de cerca de 700 animais divididos entre cães e gatos. A maior dificuldade da ONG é na alimentação dos bichos. São consumidos por dia são 40 quilos de ração de cachorro e 25 quilos de ração de gato. Na conta ainda entram 25 quilos diários de arroz e carne doada ocasionalmente, já que alguns dos animais não estão habituados ao consumo de ração.

Antônia Teles, responsável pela ONG, tem quatro funcionários para auxiliar o trabalho, gerando uma folha de pagamento de cerca de cinco mil reais. “A gente não tem ajuda governamental nenhuma, nem de prefeitura, nem do Estado, apesar de sermos de utilidade pública municipal e estadual. Não sei se não existe verba para isso. Vivemos de ajuda da sociedade”, comenta.

Anjos de um resgate

A Anjos de um Resgate é um abrigo que acolhe animais em estado grave, causando um dos problemas da ONG, segundo a responsável pelo abrigo e vereadora de Aracaju pela Rede Sustentabilidade, Kitty Lima. “As contas nas clinicas ficam enormes e acabamos tendo dividas, já que pegamos animais com casos graves”.

A ONG conta com aproximadamente 70 animais divididos em dois ambientes, na casa da vereadora Kitty Lima e na sede da ONG, localizada no conjunto Marivam. O número é o limite, já que os animais precisam de espaço.

“A gente só tem como pegar mais casos quando diminuir a quantidade que tem já dentro. Como a população tem preconceito muito grande em relação a animais adultos a gente fica com um acumulo de animais lá dentro e sem estoque para novos. Porque não adianta eu colocar mais animais, se eles não vão ter qualidade de vida”, destaca.

Legislação

Kitty Lima protocolou vários projetos como o Samu Pet, farmácia Pet e a proposta de criação do crematório de animais. Porém a vereadora já tenta uma audiência com o prefeito, Edvaldo Nogueira, há nove meses.

“Eu tenho vários projetos para ajudar as ONGs, mas infelizmente eu não consigo contato com o prefeito ou muitas vezes esses projetos nem chegam a sair da Câmara porque os vereadores vetam, principalmente os da base do prefeito”, explica.

A vereadora já conseguiu uma reunião com a vice-prefeita, Eliane Aquino, para propor um tipo de apoio em relação à alimentação nos abrigos. Segundo Kitty, Eliane alegou que não tem como dar um maior apoio em relação à ração por falta de verba específica.“O que eu posso tentar em nível de legisladora municipal eu já tentei”, comenta

Hospital

Um dos maiores problemas que atinge as ONGs são os animais que chegam da rua doentes, muitos carecem de procedimentos cirúrgicos ou tratamentos.

“Chegam muitos animais doentes, quando é algo mais grave levamos para o veterinário. Se a gente não tiver dinheiro pra pagar, a gente leva e depois paga. Tem algumas clinicas que ajudam e fazem um preço melhor”, comentou Antonia Teles.

Kitty Lima afirma que tem buscando uma solução para conseguir o apoio da Prefeitura de Aracaju para a construção de um hospital veterinário que ofereça serviços gratuitamente.

“A luta que eu tenho em um hospital veterinário ainda não teve êxito. Então eu sugeri à prefeitura que fosse realizado um convênio com o Hospital Universitário. Já que não tem dinheiro para construir e como a gente já tem um hospital público, que é o da UFS, porque não fazer um convenio? Mas nem assim eu consegui”, lamenta.

Em contato com a reportagem do CINFORM, a assessoria da Prefeitura de Aracaju afirmou que “segue um planejamento em todas as suas ações, inclusive relacionadas à causa animal. Tanto que já deu início ao cadastramento dos animais que serão atendidos pelo castramovel, a partir de março”.  A prefeitura afirmou ainda que a vereadora Kitty Lima fora recebida nas diversas instâncias das secretarias, assim como nos gabinetes do prefeito e da vice-prefeita de Aracaju.

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