TRF decide: espuma do colarinho faz parte do chope


O colarinho do chope deve ser considerado parte da bebida. A decisão, tomada pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), foi publicada semana passada no Diário Eletrônico da Justiça Federal da Região Sul.

O restaurante Gruta Azul, em Blumenau (SC), foi multado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) em R$ 1.512,50. A bebida servida pelo estabelecimento incluía espuma no volume total do produto. Segundo o fiscal do instituto, apenas o líquido poderia ser cobrado, desconsiderando a quantidade de espuma conhecida como “colarinho branco”. A empresa recorreu contra a sentença de 1º grau, que manteve a multa em vigor.

E no julgamento no TRF4, a 3ª Turma decidiu, por unanimidade, dar razão ao restaurante. Para a desembargadora federal Maria Lúcia Luz Leiria, relatora do processo no tribunal, “há um desvio na interpretação efetuada pelo fiscal do Inmetro”. Conforme a magistrada, o chope sem colarinho não é chope. Ela considerou ainda que “o colarinho integra a própria bebida” e é o produto na forma de espuma, em função do processo de pressão a que é submetido.

A gerente de qualidade de uma choperia do Rio, Danielle Badaró, disse que, de fato, chope sem colarinho não existe. Ela explicou que o padrão é de três dedos de espuma no copo.

– Muitas pessoas não querem colarinho porque acreditam que vão tomar mais chope. É verdade, mas o chope será de péssima qualidade. O colarinho é resultado da pressão. A diferença entre a cerveja e o chope é justamente essa – explicou a especialista.

A página da Brahma na internet, a marca de chope mais vendida no Brasil, confirma a posição do TRF. O site explica detalhadamente a importância do colarinho na bebida. “Tem gente que não gosta de colarinho, mas ele é essencial para se ter um bom chopp. A espuma, isto é, o creme, mantém o gás do chopp, protege a temperatura e evita o contato com o oxigênio, que faz o chopp amargar. O tamanho ideal do colarinho é de dois a três centímetros de creme” diz o texto.

Dirceu Santana, maitre do Onnu, colarinho é importante pra manter o chopp gelado e seus aromas. O publicitário João Augusto, o Jonga, também reza da mesma cartilha “a espuma é componente essencial”.

Entender essencial e pagar pelas bolhinhas parece não ser um lugar comum.

Numa enquete realizada entre sexta e sábado, no Instagram do TAC, com cerca de 1000 entrevistados mostrou que a maioria não concorda em pagar. Foram 67% os que disseram não a pergunta ‘a espuma deve contar como parte do conteúdo do chope que você compra?’.

O especialista e beer sommelier Torugo Batista explica: “a espuma é o primeiro sinal de ‘saúde’ do chope. Uma cerveja sem espuma já demonstra falta de carbonatação ou contaminação da bebida. Basicamente ela eh responsável por manter a temperatura do chope por mais tempo é responsável pelo aroma da cerveja, além de diminuir o processo de oxidação do chope. E muitos se enganam que estão bebendo um volume menor. A maioria dos copos já vem com a medida certa e ainda considera o volume da espuma. Então se você comprar, no caso do Calles, um chope de 250 ml você recebe 250ml de cerveja mais o volume da espuma. Então ninguém precisa ficar preocupado que está sendo roubado. Chope é sempre com colarinho e requer treinamento e perícia pra tirar um bom chope.”

O assunto ainda deve render muito.

Com informações do jornal Extra

 

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