Professor Rafael Santana, acusado de assédio sexual, vai casar em novembro


Uma polêmica tomou conta de Aracaju na semana que passou. O professor de Física do Colégio Amadeus, Rafael Santana, foi acusado de praticar assédio sexual contra 12 alunas do 2º. ano do ensino médio daquela escola. O caso foi parar na imprensa e na polícia.

O professor Rafael, que está com o casamento marcado para o mês de novembro com uma jovem advogada de Aracaju, acabou tendo seu nome exposto na mídia, foi dispensado do Amadeus e, formalmente, apontado na polícia por suas alunas como autor de um delito contra a liberdade sexual. Apesar disso, ele se mantém firme com o planejamento do seu casamento, que não será adiado.

A notícia do assédio sexual mudou a vida do professor. Além de ser dispensado do Colégio Amadeus, Rafael Santana fechou um estabelecimento de ensino do qual era responsável direto, o Curso Arena, saiu das redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp) e desligou seu celular. O professor está incomunicável e não quer conceder entrevista sobre a acusação, porém parece contar com a confiança da noiva, que também não desistiu de casar. O nome da noiva do professor, a data e local do casamento foram preservados para evitar violação de intimidade.

INQUÉRITO APURA DENÚNCIA

As estudantes do Colégio Amadeus que acusaram o professor Rafael Santana de praticar assédio sexual contra foram, na tarde da última sexta-feira, à Delegacia Especial de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima – que integra o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV) – registrar o boletim de ocorrência e pedir a abertura do inquérito policial para apurar a materialidade do crime.

As alunas, que a partir de agora são vítimas do crime de assédio, afirmam que o indiciado, o professor Rafael Santana, já vinha se comportando de maneira que caracterizava crime de assédio sexual. Ele se valeu, segundo as alunas, de sua condição de superior hierárquico (relação professor/aluno) causando constrangimento, o que poderá ser comprovado após a apuração dos fatos.

O caso será mantido com discrição para evitar a exposição das vítimas, segundo a irmã de uma das 12 alunas que formalizaram a denúncia.

O professor Rafael está sendo acusado de mandar mensagens com conteúdo erótico e fotografias do seu órgão genital para as estudantes. Assim que a matéria foi publicada na imprensa, Rafael saiu das redes sociais e não mais apareceu no Curso Arena. O celular do professor também não atende ligações e ninguém sabe do seu paradeiro.

AMADEUS CONFIRMA

A delegada Roberta Fortes intimou o Colégio Amadeus para saber se, entre as estudantes assediadas, havia alguma menor de 14 anos para que se instaurasse inquérito policial, independentemente da vontade da vítima. Neste caso, como as alunas tem entre 15 e 16 anos, a ação penal é condicionada à representação do ofendido, conforme explicou a delegada Roberta. Embora as alunas não tenham “prints” das mensagens de texto, nem cópias das fotografias enviadas pelo professor, o depoimento testemunhal delas é suficiente para iniciar a investigação, segundo deixou claro a delegada.

De acordo com os esclarecimentos prestados pela psicóloga do Amadeus, as alunas estão emocionalmente abaladas com os constantes constrangimentos a que eram submetidas pelo professor.

Com o depoimento das vítimas, a delegada Roberta Fortes inicia o inquérito e vai marcar para ouvir as testemunhas. Roberta deve determinar diligências no sentido de promover perícias nos aparelhos celulares das estudantes. Outra medida, que deverá ser adotada pela delegada, é pedir ao juiz um mandado de busca e apreensão para a residência do professor e para o curso Arena, do qual Rafael é sócio, na tentativa de encontrar provas materiais em computadores, notebook´s e celulares.

As operadoras de telefonia também serão notificadas para recuperar mensagens de texto via aplicativo Whatsapp e envio de fotos para as alunas.

A irmã de uma das vítimas conversou com a repórter do CINFORM, Juliana Paixão, e disse que o caso será mantido longe da mídia. No entanto, ela revelou que está disposta a colaborar na divulgação dos fatos que estão sendo apurados pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima, para que a sociedade saiba a verdade. A jovem agradeceu a iniciativa do jornal em procurá-la para fazer uma entrevista.

Assédio sexual: um crime muito falado, mas pouco conhecido

Alunas do Amadeus registram boletim na delegacia
e pedem abertura de inquérito contra professor

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