Procuradora Eleitoral deve oferecer denúncia de “caixa 2” contra Edvaldo Nogueira


Eunice Dantas: “Existem indícios fortes
que alguma coisa errada aconteceu”

A procuradora Eunice Dantas deve oferecer denúncia ao Tribunal Regional Eleitoral acusando o prefeito Edvaldo Nogueira de praticar crime de “caixa 2” quando era candidato nas eleições de 2016. “Existem indícios fortes de que alguma coisa errada aconteceu e a gente precisa analisar para saber o que houve”, afirmou a procuradora, numa referência sobre a relação de Edvaldo com a Torre durante a campanha eleitoral.

Eunice vai começar a analisar, dentro de 15 dias, as provas compartilhadas do processo enviado pela 3ª Vara Criminal, fruto da operação Torre de Babel, que contém áudios de interceptação telefônica,

Os áudios de conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial entre Edvaldo Nogueira e José Antônio Torres Neto estão sob segredo de Justiça, mas o sigilo pode ser suspenso, se a procuradora confirmar os elementos de materialidade do crime para oferecimento da denúncia.

A Polícia Federal pode ser requisitada para realizar diligências e reunir novas provas de que houve omissão de informação na prestação de contas eleitorais do candidato a prefeito Edvaldo Nogueira, crime previsto no art. 350 do Código Eleitoral, popularmente conhecido de “caixa 2”.

Eunice Dantas fez conexão de provas anexadas aos processos que tramitam na Justiça Criminal e são elementos que fazem parte das investigações iniciadas na Procuradoria Eleitoral.

“Sabemos do saque de R$ 4 milhões feito pelo empresário José Antônio Torres Neto às vésperas das eleições, temos conhecimento das gravações de conversas e trocas de mensagens entre o prefeito e o empresário Antônio Torres e da contratação emergencial da própria Torre efetivada pela prefeitura, revogando o contrato com a empresa anterior”.

A procuradora eleitoral quer apurar se a empresa Torre financiou a campanha do prefeito com a prática de “caixa 2”, em troca da contratação em regime emergencial com a Prefeitura de Aracaju, através da Emsurb. “A gente precisa analisar tudo e revelar o que foi que houve”.

Para Eunice, “esses atos praticados demonstram indícios de caixa 2 e vamos aprofundar as investigações para desvendar as condutas dos envolvidos.

Eunice Dantas vai seguir o rastro dos R$ 4 milhões sacados pela Torre para tentar descobrir se esses recursos foram utilizados pelo candidato Edvaldo Nogueira no dia da eleição, como “boca de urna”. A procuradora eleitoral quer apurar se a empresa Torre financiou a campanha do prefeito com a prática de “caixa 2”, em troca da contratação em regime emergencial com a Prefeitura de Aracaju, através da Emsurb. “A gente precisa analisar tudo e revelar o que foi que houve”.

CONVERSAS TELEFÔNICAS

O teor das conversas e as trocas de mensagens entre Edvaldo Nogueira e Antônio Torres vão nortear as investigações que serão executadas pela Polícia Federal, sob o comando do Ministério Público Eleitoral.  O conteúdo que está sob sigilo vai ser aberto a partir do momento em que a procuradora Eunice Dantas reunir elementos que robusteçam a denúncia a ser oferecida ao TRE.

A Polícia Federal já atuou no processo referente ao inquérito da Operação Torre de Babel, fazendo perícia em aparelhos celulares recuperados, como o smartphone pessoal de José Antônio Torres Neto. É que a Polícia Técnica de Sergipe não tem equipamentos avançados para esse tipo de análise de dados e recuperação de conversas, como reconhecem os peritos do Instituto de Criminalística, em citação feita no ofício à PF.

Eunice Dantas esclareceu à imprensa que o inquérito policial da operação Torre de Babel, que resultou nos processos que apuram três crimes: estelionato, associação criminosa (formação de quadrilha) e crimes contra a administração pública se referem à esfera criminal estadual. “Nós estamos aqui apurando crime eleitoral, que são outros tipos de provas, outro tipo penal”.

EXONERAÇÃO DE DELEGADOS

Ao ser questionada pelo CINFORM sobre a exoneração dos delegados da Deotap, Danielle Garcia e Gabriel Nogueira pelo governador Jackson Barreto, Eunice Dantas reagiu: “Nos tempos de hoje é inadmissível a gente aceitar esse tipo de conduta de um gestor, que exonera e muda de função um servidor público porque ele exerceu bem o seu trabalho”

A procuradora prosseguiu sua fala em defesa dos delegados e criticou a conduta de quem está no comando da Segurança Pública do Estado. “ É uma questão absurda, eu fiquei indignada, ficou bem claro, a sociedade toda está vendo que foi pressão exercida pelas pessoas que estão sendo investigadas”.

“Os delegados que cumpriram seu deve legal de apurar os crimes e enviar à Justiça o inquérito policial, como base da denúncia ofertada pelo Ministério Público, acabaram afastados, quando na verdade são bons servidores públicos”, concluiu a procuradora, numa menção à Danielle Garcia e Gabriel Nogueira, acrescentando: “são punidos porque executam bem os seus serviços”.

Laércio disse que Multiserv não concorre por menor preço.
Mas entrou em Pregão. Ouça o áudio da entrevista

 

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