Os ‘ensinamentos’ do Capelão


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Capelão bota Viçosa no mapa do marketing de boteco mundial

Semana passada, o Bar e Petiscaria do Capelão, mostrou por que malandro é malandro e mano é mané. A Câmara de Vereadores da cidade de Viçosa, MG, aprovou uma lei obrigando bares a encerarem suas atividades às 2h da manhã. Capelão, famoso dono de bar na cidade, decidiu cumprir a lei à risca. Exatamente às duas da manhã, Capelão explusa os clientes, fecha o bar… e reabre 5 minutos depois. Segundo ele, em explicação as autoridades, a legislação prevê horário para encerramento das atividades, mas não diz nada a respeito do horário de abertura dos bares. É um herói brasileiro.

Separamos 5 momentos que mostram que Marcos Paulo Capelão é um marqueteiro sem freio.

 

MEU BAR, MINHAS REGRAS
“Código de Defesa do Consumidor é meuzovo. Quando quero, cobro a entrada. É a forma que tenho para espantar os vermes que vêm aqui usufruir de meu estabelecimento sem me dar um centavo de retorno. Minha consciência, às vezes, pesa, e eu então, em contrapartida, resolvo dar uma Skol litrinho ou um refrigerante para vocês, animais descapitalizados, incorrendo na prática abusiva chamada “venda casada”.
De quebra, vocês ficam menos insatisfeitos comigo e eu tenho uma fonte de receita não contabilizada e livre de impostos.
 Bom para mim, bom para vocês. É justo, é belo, é moral e paga minhas contas. Eis a ética do Bar do Capelão”.

 

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QUEM PAGA A CONTA
“Tentei tirar esta foto de cenho franzido, afetando perplexidade e indignação, mas não consegui. Já estou rindo da cara de vocês, trouxas explorados. Por quê?

 Porque chegou a dolorosa! É a conta de energia mais cara que já paguei: R$ 1.889,85.

Eu disse que já paguei? Perdão. Na verdade, quem paga a conta são vocês. Eu só embuto os custos nos preços de meus produtos.

Há um ano, consumindo o mesmo tanto de energia elétrica, eu não gastava nem 900 mangos. Agora pago – vocês pagam – o dobro. Aumentou a energia, aumentou o cardápio.

No Bar do Capelão, funciona assim: vocês financiam o meu roubo e o do governo. São trouxas explorados em dobro”.

 

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AMÁVEL COM AS CRIANÇAS
“Não tenho pudor. Se é para ganhar dinheiro fácil, ter lucros exorbitantes, faço o diabo e não perdoo ninguém. Na aula de hoje, ensinarei uma de minhas técnicas prediletas de extorsão: o aliciamento de menores.
Gosto é de famílias em meu bar. Geralmente, as contas são gordas e superam, com larga dianteira, a casa dos três dígitos. É meu interesse que pais, mães e filhos voltem sempre aqui. É um dos raros momentos em que trato bem a clientela.
Então, eu jogo baixo e seduzo o elo mais fraco do seio familiar: a criança. Dou um chocolate cujo preço de custo é irrisório para mim ao pequeno catarrento, e todo dia ele quer voltar aqui para rever o Titio Capelão.
Vejam esta foto, por exemplo. O pai veio ao bar mesmo com a pata quebrada apenas para trazer sua pimpolha, que sabia que ganharia um chocolate. Só comerciante burro dá desconto para conquistar o freguês.”

 

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CHOPP DOBRADO
“Como tenho pena de você, otário manipulado, vou lhe ensinar o Truque das Falsas Proporções.
Hoje é dia de rodada “dupla” de chope no Bar do Capelão: dois chopes de 300 mL por R$ 5. O animal, então, raciocina: se peço um chope e, com um R$ 1 a mais ganho outro, recebo desconto de 37,5%, pois, em outros dias, eu pagaria R$ 8 pela mesma quantidade. É a conta que você faz.
Mas a conta que eu faço é outra. Vou partir do pressuposto que você não é tão analfabeto quanto parece e sabe o que é uma regra de três.
Acontece que, se não fosse a promoção, você provavelmente não compraria dois chopes de 300 mL, mas um de 500 mL a R$ 6. Para ser mais exato, talvez você nem estivesse no bar. Então, eu raciocino: para dois chopes de 300 mL da promoção, cada 100 mL custa R$ 0,83, enquanto 100 mL do chope de 500 custa R$ 1,20. Portanto, o desconto que dou, na verdade, é de 30,5%.
O desconto fica menor ainda quando penso que você e seus amigos estão tomando vários chopes de 300 mL em vez de uma torre de 2,5 L (cai para 13,5%).
Entenda o segredo, inseto lerdo: a troca de recipientes ilude sua mente e faz com que seu ganho real seja bem menor do que parece.
Por falar em parecer, você parece burro. E é. Lide com isso.”

 

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UM BAR DE FAMÍLIA
“O Bar do Capelão é o lar da família viçosense. Para dar exemplo a meus fregueses, também trago minha família para cá (é claro que eu só estou economizando ao não contratar funcionários e arcar com todos os custos trabalhistas).”

Capelão se orgulha de ter o pior atendimento. Lá o cliente é mal tratado e até xingado, mas vive lotado e até virou ponto turístico da cidade. Acompanhe essa figura em sua página no Facebook, clicando aqui.

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