Festival Gastronômico reúne pratos típicos de oito cidades sergipanas


Expositores de 8 municípios participaram do evento

Promovido pelo Sebrae, 21 restaurantes, bares, lanchonetes expuseram sua receita “carro chefe” na última quinta e sexta-feira, na AABB de Propriá 

Tati Melo

Repórter especial do TAC

Semana passada me bati com TAC e joguei na cara: “poxa, nunca mais uma missão (pauta) estilo aquela do restaurante do Chef Jonas em Itabaiana”. Acho que ele ficou sensibilizado com meu comentário, porque menos de 24 horas depois eis que surge a seguinte mensagem via whatsapp: “Amanhã tem um tour gastronômico com Osanilde (Oliveira – assessora de imprensa do evento deli, deli) Topa? Vai até Propriá e volta depois do almoço. Sai 8h30 do posto…”.

Dona do “Quilombo dos Campinhos”, Edilene diz: “diz o povo que ‘sou cozinheira de mão cheia’”

Claro, não recusei. Ajustei meus afazeres pela manhã e tarde, pedi as devidas autorizações e #partiuPropriá. No maior estilo excursão turística – com direito a ponto de encontro, grupinho de whatsapp para ir interagindo com os coleguinhas de passeio, jornalistas e blogueirinhos(as) – partimos na última quinta-feira, 6, rumo ao I Festival Gastronômico do Baixo São Francisco, em Propriá, mais precisamente na Associação Atlética Banco do Brasil – AABB.

Só ao ler o release preparado por Osanilde e as fotos que ela enviou para o grupinho de whatsapp, deu água na boca e vontade danada de chegar logo em Propriá: “Cada estabelecimento inscrito apresentará ou escolherá um prato cuja receita seja composta ao menos por um ingrediente produzido na Região do Baixo São Francisco sergipano, como a carne do sol, os laticínios, pescados, mariscos, doces, coco e seus derivados, pólen e mel”, dizia o release.

 

 

Famoso em Brejo Grande, o restaurante Carapeba levou para o festival camarão empanado na tapioca

PROJETO DO SEBRAE 

A ideia de promover essa comilança em Propriá foi do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, através do Projeto de Desenvolvimento Econômico Territorial, como explicou Gardênia Rezende, gerente de Unidade da entidade do Baixo São Francisco, que abrange 15 municípios sergipanos.

Com o objetivo de fomentar o setor turístico por meio da gastronomia, o Festival Gastronômico ocorreu na última quinta e sexta-feira, 6 e 7, e reuniu 22 expositores entre bares, restaurantes, lanchonetes, doceiras, panificações, pousadas, hotéis; e 21 expositores da economia criativa – artesanato – de Propriá, Cedro de São João, Pacatuba, Brejo Grande, Ilha das Flores, Neópolis, Santana do São Francisco e Amparo do São Francisco.

“Nós sabemos, através de estudos do Sebrae, que o Baixo São Francisco é muito rico em potencial. Então, por que não aproveitar esses ingredientes? Através dele podemos chamar o turista, desenvolver, engrandecer o turismo desta região. A gastronomia promove uma região”, destaca Gardênia.

Expositores de 8 municípios participaram do evento

SIMPLICIDADE E AMOR 

Pulando essa parte teórica, institucional do evento, vamos ao que interessa: a comilança em si. O que tinha de bom nesse festival? Com entrada gratuita e pratos a preços promocionais – claro, eu e meus coleguinhas da excursão fomos na faixa do 0800 – quem passou por lá pode saborear receitas à base de frutos do mar – peixe, camarão, sururu – porque, óbvio, o carro chefe daquela região todinha do Baixo São Francisco são os animaizinhos capturados no rio.

A cada prato saboreado, uma história veio junto. Logo de cara, o tucunaré ou tilápia – sou péssima para distinguir tipos de peixes – com uma farofa e uma vinagrete me encantou. Pense num peixinho frito delícia. A farofinha e saladinha estavam bem-feitas também. Mas o que me chamou mais atenção ainda foi o nome do restaurante: “Quilombo de Campinhos”.

Rolou coxinha de sururu no I Festival de Gastronomia do Baixo São Francisco

Fui à caça da dona do “Quilombo de Campinhos” e achei uma senhora para lá de envergonhada, sem muita intimidade com holofotes, mídia. Mas, do pouco que ela falou, deu para entender o porquê de a comida ser boa: simplicidade e pitadas de amor. “Comecei com restaurante há dois anos. Não é bem restaurante, pois ofereço minhas comidas na minha casa, num espacinho”, relata Edleide Bispo, 50 anos.

RESTÔ QUILOMBOLA 

“Resolvi abrir o restaurante, pois procuram muito minha comida. Diz o povo que ‘sou cozinheira de mão cheia’”, afirma Edleide. Segundo ela, o dom da culinária veio de um desenvolvimento próprio, sem interferências de mãe, tias, avós. “Cozinho há muitos anos e aprendi sozinha”, frisa ela, que revela o segredo do seu sucesso: “para a comida ficar boa, boto carinho, amor, paciência”, diz.

Ao ser questionada sobre a origem do nome do restaurante, Edilene não soube responder, somente disse: “o nome surgiu há anos. Minha família tem origem quilombola. Minha bisavó era quilombola”. A casa/restaurante de Edilene fica à beira do São Francisco, em Amparo do São Francisco, no Povoado Campinhos – melhor cartão-postal não há, dispensando luxo, pompas para se servir.

Chefs Rodrigo Bueno e Renata, Gardênia Martins (coord. regional da unidade do Sebrae de Propriá), Marianita Mendonça (analista técnica do Sebrae) e Lea Durante (coord. do festival) com proprietários de restaurantes e bares

Outra história que achei para lá de interessante foi a de Roberto Silva, o Roberto Mineiro, 50 anos. No meio de pratos à base de peixe, camarão, sururu, eis que surge um caldinho de feijão com torresmo e queijo caolho e um caldinho de costela de boi com macaxeira que merecem destaque pelo saborzinho gostoso. Tudo feito pelo restaurante de um cara que saiu de Minas Gerais há três anos e montou o “Boteco Mineiro 1” em Santana do São Francisco.

MINEIRO À BEIRA DO RIO 

“Minha área de atuação era totalmente diferente do comércio de comida que tenho hoje”, informa Roberto. Antes de se jogar no mundo da culinária, o mineiro era comerciante de motos. E foram as motos que colocaram as cidades ribeirinhas sergipanas no destino da vida dele e da família.

“Vim fazer uma entrega de motos na cidade de Japoatã e me encantei. E apaixonei-me por Santana do São Francisco. Aí, coisa de dois meses depois, abandonei tudo, larguei meu trabalho e montei meu restaurante. Nunca havia trabalhado na área, mas foi uma opção para sobreviver aqui, pois temos conhecimento de culinária mineira”, relata Roberto.

Pudim de padaria

“A vontade nossa era morar as margens do São Francisco. Vim para cá com minha esposa e três filhos. Eles aceitaram, pois era sonho deles também”, revela Roberto. Segundo ele, esses três anos pelas bandas de cá, estão rendendo bons frutos. “O restaurante está fazendo muitíssimo sucesso, tanto que vamos abrir outro (para 150 pessoas) em Neópolis. O carro chefe é comida mineira no geral, mas temos pratos à base de peixe também”, informa.

BISCOITOS DE CEDRO

Deixando de lado os stands dos restaurantes e suas receitas com peixe, sururu – rolou até coxinha de sururu – e carne do sol – pense numa pizza com carne do sol e queijo coalho deli -, fui dar uma olhadinha na parte dos stands da “economia criativa”, o artesanato, e deparei-me com os famosos biscoitos de Cedro de São João.

Quem nunca comeu um biscoito sete capas, de canela, cacetinho da Carlotas de Cedro? Empresa familiar, Carlotas está em atividade desde a década de 60. De lá para cá, já passou de pai, para filha e, agora, está na terceira geração, os netos. “Quem fundou foi o meu bisavô, o pai da minha avó Carlota. E minha avó deu continuidade”, diz Aline Novaes, 29 anos, neta de dona Carlota.

Quem nunca comeu um biscoito sete capas, de canela ou cacetinho da Carlotas de Cedro de São João

“Minha avó guarda a sete chaves o segredo dos biscoitos e não passa para ninguém. Porém, creio que o segredo é pitadinha de amor, dedicação. Até hoje, ela atua na empresa. Com 81 anos, madruga, põe mão na massa para degustar”, informa Aline. A família tem tanto dom para esse ramo que em Cedro existe também a Cidoca – empresa concorrente da Carlotas, que pertence a uma tia de Aline.

Quase ido embora, após comer muito bem, obrigada, pensei comigo: “nem conversei com um dono de um restaurante de Propriá”. Foi aí que avistei Luanda Fraga, 34 anos, dona do restaurante Canoa de Tolda, aquele bem na cabeceira da ponte, na divisa de Sergipe e Alagoas, em frente ao Hotel Velho Chico. “O evento é de grande valia por conta que abrange as cidades circunvizinhas. Muitas pessoas que não conheciam o nosso cardápio agora conhecerão. Isso aumentará nossa clientela”, opina.

 

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